A carne de cão, a carne de vaca e os falsos moralismos

Chegou-me por email a notícia de que a China está prestes a proibir o consumo de carne de cão e gato. Parece que já há jusristas a trabalhar num projecto-lei que prevê a aplicação de coimas até 5 mil euros e 15 dias de detenção a quem prevaricar.
Sempre que o assunto é o consumo de animais (para nós) de estimação, vejo repetirem-se as palavras de desaprovação e choque. Alguém é capaz de me explicar por quê? Entendo perfeitamente que seja difícil conceber a ideia de degustar um pitéu feito com o Bobby lá de casa, o que não me entra é o facto de haver quem se ache no direito de apontar o dedo a essa prática, quando o “apontador” é também consumidor de animais que sofrem as mais inimagináveis torturas antes de chegarem aos respectivos pratos. Uma visitinha a alguns matadouros e aviários talvez abrisse os olhos a muita gente. “Olha-m’esta a pregar o vegetarianismo”, pensam vocês. Não (não é que seja má ideia, mas não é esse o objectivo primordial). Era só mesmo apelar ao respeito e a não entrar por falsos moralismos.

Quanto ao impacto e motivações para a medida chinesa, muito poderá especular-se. Tentativa de ocidentalização, ou pelo menos de sossegar os ânimos falsamente moralistas aqui do ocidente? E o impacto? Como serão tratados os bichos se o consumo passar a ser clandestino? O que os olhos não vêem…

China : carne de cão e de gato deve sair da ementa

A carne de cão e de gato, muito apreciada em várias regiões da China, poderá vir a desaparecer das ementas chinesas, anuncia hoje, quarta-feira, um jornal oficial chinês.

Uma equipa de juristas dirigida por um responsável da Academia Chinesa de Ciências Sociais está a elaborar “uma lei proibindo comer aqueles dois animais”, disse o Global Times, jornal do grupo Diário do Povo, órgão central do Partido Comunista Chinês.

O projecto-lei, que poderá demorar ainda um ano a ser votado pela Assembleia Nacional Popular, prevê a aplicação de multas até 50.000 yuan (5.000 euros) e 15 dias de detenção para quem continue a comer cão e gato.

A carne daqueles dois animais, considerada de alto valor nutritivo, sobretudo no Inverno, é especialmente apreciado nas províncias do sul da China e pela minoria étnica coreana, que vive no norte do pais.

Diz-se que a carne de cão e de gato tem propriedades medicinais e “aquece o corpo”, mas defensores dos direitos dos animais argumentam que “essa crença não é confirmada pela ciência”.

Em alguns restaurantes do sul da China, um quilo de carne de cão, já cozinhado, custa 79 yuan (8 euros), o que é considerado barato.

China: dias melhores virão para os animais?

Foto: IC

Protesto contra consumo de cães e gatos. Foto: IC

A imprensa internacional relatou esta semana que a China lançou uma proposta de lei para proteger seus animais de maus-tratos. As medidas incluem pena de prisão de até 15 dias para quem comer carne de cachorro e gato, além de multa de algumas centenas de dólares, segundo o Chongqing Evening News

Na melhor das hipóteses, serão medidas bem-estaristas que talvez representem um pequeno avanço em um país notório pelo tratamento cruel a animais humanos e não humanos. 

No mundo ocidental, a notícia de que cães e gatos poderão se livrar do garfo de alguns chineses virá como um sopro de alívio, embora muitos considerem pouco provável que a lei passe e, se passar, que ela seja cumprida. 

De fato, antes de celebrar é recomendável muita precaução.  A motivação para essa nova medida, pelo menos no que afeta cães e gatos, está mais ligada à ocidentalização da crescente classe média chinesa, que desaprova do hábito de comer esses animais, do que à compaixão. E, junto com a suposta simpatia por essas duas categorias de não humanos, vem um novo apetite por carne de bovino e laticínios. Ou seja, existe o risco de que mais desses animais sejam mortos para atender à demanda, que infelizmente cresce em ritmo chinês. Poupam-se alguns cães e gatos e sacrificam-se milhares de bois e vacas. 

Além disso, é provável que essa nova classe média comprará, em massa, animais vindos de criadores. Com isso haverá uma explosão populacional de animais ditos de ‘companhia’ e, como consequência, o abandono. E animais na rua em um país já extremamente populoso só pode significar uma coisa: violência, fome, doença e morte. 

Tomara que outras espécies se beneficiem de algum tipo de proteção e que o veganismo cresça no país. Mas é pouco provável que a China se tornará um país gentil com animais do dia para a noite. É melhor aguardar com cautela e olhos abertos o que resultará dessa proposta de lei. 

Fonte: ANDA

Com informações do China Daily 

About these ads

Deixar uma resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Modificar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Modificar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Modificar )

Connecting to %s

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 61 outros seguidores

%d bloggers like this: