Estupro à luz do dia.

Nota do editor: Este artigo não representa posição editorial de ((o))eco com relação à atual disputa eleitoral. As opiniões aqui expressadas são de responsabilidade do autor.

Ao se aproximar, enfim e felizmente, o apagar das luzes de um dos des-governos mais inimigos da conservação da Natureza que este país já viu, muito embora o coro de pelegos e chapas-branca do ambientalismo tente de tudo para escamotear este fato, seria de se esperar que ao menos arrefecesse a fúria estatal de destruição da biodiversidade brasileira, alimentada pela ignorância recalcada de nosso Einstein de Garanhuns contra as pererecas e bagres, reiterada em discurso criminoso e incitador à desobediência da legislação ambiental há poucos dias em Porto Alegre que, alguém lhe soprou no ouvido, “atrapáiam o pogreço”. Mas não – o que se vê, a temperar de maneira inequívoca a campanha eleitoral em que o Pai dos Pobres abusa da máquina pública para tentar fazer sua sucessora, é a perda definitiva de qualquer vergonha em acabar com os limites para a depredação, a mineração, o estupro do que resta de nosso patrimônio natural, na forma de agradinhos ao que há de mais retrógrado no empresariado nacional, certamente à espera de óbolos e apoios para a campanha presidencial de PT et caterva para o vindouro outubro.

Muitos no ambientalismo estiveram focados, e com justa razão, no que aconteceu com o Código Florestal nos últimos meses. Para destroçar o ordenamento de conservação de nossos remanescentes florestais, Lulla e Dilma, a Plástica, deixaram encarregado o primeiro comunista vassalo do latifúndio da Histórica, o histriônico Aldo Rebenta, já também de merecida fama como o mais ignorante especialista em manejo florestal de que se tem notícia. Sua designação, no entanto, é bem calculada: precisava o PT de um testa-de-ferro disposto a fazer um grande afago no setor do agronegócio, para que este não se esquecesse de dar sua contribuição a disseminar a campanha petista nos grotões onde os coroné, ainda hoje, mandam, mas agora eternizados pela aliança com a “isquerda” do Planalto e que, como eles, acha que floresta é “mato” e que derrubá-la é missão sagrada e patriótica. Agora a bancada petista, com medo da péssima repercussão desse crime, faz mero jogo de cena de que não estão de acordo com o relatório kafkaniano de seu aliado, sabendo muito bem que seus patrões estão apoiando toda essa bandalheira.

A discussão em torno do esquartejamento petista-cum-comunismo-et-coronelismo do Código Florestal, entretanto, fez com que virassem apenas nota de rodapé alguns outros que contam-se entre os piores escândalos de má gestão deliberada do patrimônio ambiental nacional de que se tem notícia. Estes, e os que mais virão até outubro, têm como evidente e inequívoco objetivo enviar uma mensagem clara aos empresários medievais da “base financeira” petista – empreiteiros parasitas de obras faraônicas, industriais da pesca predatória, chupins da infraestrutura petrolífera, fazendeiros improdutivos e devastadores, fabricantes de automóveis de má qualidade e similares: apóiem Dilma, e a gestão ambiental pelo Poder Público simplesmente acabará, para que vocês possam seguir com seus negócios escusos, com o lesa-pátria, com o acabar do futuro para assegurar seus lucros imediatos privados à custa do interesse público.

Não é outro o recado mandado baixar pelos chefetes do combalido IBAMA, refém de uma das piores cambadas partidárias que já infectou um órgão público ambiental, ao editar uma medida castrando seus próprios fiscais do dever de paralisar obras e empreendimentos fora da lei, exigindo, ao invés, que tais medidas – que são uma obrigação legal, não uma discricionaridade burocrática, ao menos até agora – sejam tomadas apenas quando autorizadas expressamente pelo bedel petista que se faz passar por Presidente do IBAMA, sentadinho em seu gabinete político em Brasília. Tradução: abusem, abusem, empresários, ignorem a lei, o licenciamento, os embargos e as multas, que o PT do Planalto garantirá sua liberdade de delinqüir eternamente.

Não vi, ao menos daqui de meu puleiro sulista, mobilizar-se a indignação cidadã contra essa medida que faz o General Médici revirar seus ossinhos na cova de tanta inveja. Nem na mais feroz noite da ditadura vimos tamanha desfaçatez explícita em se amordaçar a fiscalização dos crimes ambientais a mando direto de um grupelho interessado em continuar no poder a qualquer custo.

Pois, pensaria algum ingênuo, isto é o cúmulo, o ápice do absurdo na distorção da gestão ambiental pública com finalidade eleitoreira evidente. Mais, entretanto, ainda está por vir. O “presentinho” mais recente foi a decisão de entregar não apenas de presente, mas também com isenções fiscais pornográficas e subsídios idem, a biodiversidade marinha pelágica brasileira para frotas industriais amasiadas com empresários do Exterior, completando, na dita Amazônia Azul, a obra de destruição que Lulla e Dilma nos deixam como legado na Amazônia verde. Uma das obras anti-ambientais mais perversas do lullismo, o Ministério da Sobre-pesca agora preside invicto sobre a mineração de nossa biodiversidade marinha.

Enfatizo esse crime da maneira mais clara possível: a “pesca” industrial que se pratica aqui em Pindorama na mão desses celerados não se limita a pescar espécies de interesse alimentar e valor comercial, mas sim se faz com o subsídio, o apoio e a benção do Planalto ignaro e irresponsável a práticas pesqueiras que simplesmente arrebentam com toda a vida marinha, do espinhel para atuns que massacra aos milhões tubarões, albatrozes, tartarugas, ao arrasto de fundo que escangalha completamente comunidades bentônicas (de fundo) inteiras sem qualquer limite. Este estupro verdadeiro se dá não em mares sem lei, mas em nossa Zona Econômica Exclusiva e mesmo dentro de Unidades de Conservação, como a APA de São Pedro e São Paulo, onde o próprio O ECO documenta a ‘ação’ de pesquisadores oficiais, que sempre “esquecem” de falar do massacre da pesca industrial e também de que seu chefe e mentor, o famoso Dr. Fábio Hazin, que o lullismo apóia e faz lobby para perpetuar como Presidente da Comissão Internacional do Atum, também preside sobre a leniência internacional na matança desenfreada das espécies pelágicas. Tutti in famiglia!

Isso tudo se soma à herança maldita de Dilma na Casa de Mãe Joana Civil, onde foi barrada sem explicação nem vergonha a imensa maioria das propostas de criação de áreas protegidas das áreas costeiras e marinhas para o país, à exceção de fragmentos no Nordeste para dar palanque a correligionários da “isquerda” onde se estabeleceram áreas de extração controlada de recursos, mas para a proteção estrita da biodiversidade, necas de pitibiribas. O mais infame desses “encalhes” é o do Refúgio de Fauna Silvestre da Babitonga, que deveria proteger a população residente de uma espécie ameaçadíssima de golfinho, a toninha (Pontoporia blainvillei) e que a Casa Civil empacou como presente ao governador catarinense Luiz Henrique “Motosserra” da Silveira. Para cobertura desse bolo, a política externa ambientalmente genocida comandada pelo Assessor de Coisa Nenhuma Marco Aurélio “Top Top” Garcia, que levará o Brasil à reunião da Convenção de Diversidade Biológica mais uma vez sem ter o que mostrar de concreto e limitado a tentar impedir que se proponham e aprovem diretrizes efetivas de conservação da biodiversidade, consolidando a visão troglodita dos diplomatas de antanho de que tudo o que se propõe no plano internacional para fortalecera conservação é “barreira não-tarifária”, a ser combatida para beneficiar – uma vez mais – os negócios escusos da banda podre do empresariado nativo.

Vocês eu não sei, mas pesando tudo isso neste outubro vou votar contra o PT em todos os níveis e também contra qualquer partido que se alie com eles e seus lacaios. Ser cúmplice de mais quatro anos de fascismo ambiental disfarçado de “pogreço” para enganar analfabetos, à custa do futuro do Brasil, é uma nódoa que não quero no meu título de eleitor.

Fonte

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