Archive for the ‘Vanguarda Abolicionista’ Category

Os animais têm que permanecer amarrados

por Marcio de Almeida Bueno

Pois os humanos têm o estranho fascínio de conter os animais não-humanos, acorrentar, acoleirar, prender, confinar, amarrar, colocar grilhões, cabresto, para impedir a livre movimentação. Para impedir que vá embora. Para manter dentro das fronteiras de sua propriedade. Para a ave que ainda pode escolher a rota de vôo, e especificamente pode voar, há uma que vê o mundo através das gradezinhas de um aquário – uma gaiola, olho como o derradeiro fiapo de liberdade. Cardumes rodam sem mapa de navegação, mas os atuns já ganharam seu chiqueiro, para que não saiam das bordas de um proprietário, tolhidos da possibilidade de, oceano extenso, ir em frente. Mas não se permite. Continuar a ler

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Vanguarda Abolicionista faz protesto no 1º de Maio

Fotos: Leonardo Rocha e Rafael Santini

O grupo Vanguarda Abolicionista se fez presente junto às atividades promovidas pela CUT por ocasião do 1º de Maio, Dia do Trabalhador, neste sábado. No espelho d’água da Redenção, em Porto Alegre, foi montado palco para shows de hip-hop e de música gaúcha, com bandeiraço da CUT, sindicatos e partidos da esquerda, e gravação do programa de TV ‘Coisas do Sul’. Desde as 8h, houve farta distribuição de material político para o público presente, e a Vanguarda Abolicionista marcou presença com uma faixa escrito ‘Libertação Animal’ e dois banners coloridos, contra o consumo de carne e contra o uso de couro.

Os frequentadores do parque, muitos com seus animais de estimação, se mostraram simpáticos ao discurso abolicionista, apesar do estranhamento das imagens e mensagens, à primeira vista. Entre os ativistas, a nutnicionista Claudia Lulkin cativava os passantes com uma conversa provocativa mas envolvente. Uma professora aposentada parou para conversar, e contou que certa vez, em Bagé, esteve em uma palestra sobre animais, e na hora das perguntas pegou o microfone para reclamar que a palestrante usava casaco de Chinchilla. “Depois até fui advertida, por ter causado constrangimento. Mas quantos animais foram mortos só para ela usar um casaco? E depois dá palestra falando de animais”, aponta.

Populares também se aproximaram para pedir orientação em casos envolvendo animais. “Abandonaram um pitbull em frente ao Colégio Luciana de Abreu, e agora ele circula pela Jerônimo de Ornelas, com moradores de rua. Liguei para a Prefeitura e para outros órgãos, e ninguém quis se responsabilizar”, reclamou uma passante. Os ativistas tomaram nota das informações e explicaram que o resgate poderia ser feito por voluntários da proteção animal, que agem com seus próprios recursos.

O deputado estadual Raul Carrion, do PC do B, passou para cumprimentar os ativistas, e recebeu de presente um DVD do documentário ‘Não Matarás’, produzido pelo Instituto Nina Rosa. O ministro da Justiça, Tarso Genro, estava a poucos metros do local, mas não chegou a travar contato com o grupo, que já aguardava com um kit de materiais para entrega.

A mobilização se encerrou perto das 14h, com saldo positivo pelos contatos realizados e o volume de panfletos distribuído, inclusive na tradicional Feira Orgânica, que acontecia junto ao Parque da Redenção. O sábado frio, mas com Sol forte, foi dedicado aos trabalhadores humanos e, pela ação da VAL, aos não-humanos.

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Um 1º de Maio que esquece parte dos trabalhadores

Fotos: Chicote Nunca Mais


Então neste sábado é mezzo-feriado, graças ao Dia do Trabalho / Dia do Trabalhador, conforme o ângulo por onde se esteja olhando. Sendo o trabalho mais que uma mera ferramenta da subsistência, mas um ato moral com o qual se obtém respeito e credibilidade, parte dos trabalhadores não são vistos como tal. Estão abaixo de qualquer empregado ou patrão, sem direitos ou Fundo de Garantia, com uma aposentadoria atrelada à morte ‘humanitária’.
Quem puxa uma carroça por horas a fio, ferrado nos cascos e na boca, é um cidadão invisível no cotidiano ‘coelhinho-da-Duracell’ das grandes cidades, presença obrigatória no mecanismo cruel que faz sumir o lixo da frente da casa de cada morador. Não é uma atividade voluntária, e do potro que recebe ‘lições de conduta’ até o cavalo adulto que sofre, sedento, pela burocracia pança-cheia, é uma triste linha de vida. Em paralelo aos que conduzem a carroça.
Alguns glamourizam e ideologizam a coisa toda, como se a carroça fosse símbolo de auto-afirmação valente e política, que não se curva ‘aos poderosos’. Sem esses óculos de lentes cor-de-rosa, o que se vê são miseráveis explorados por alguns um pouco menos miseráveis, sucessivamente, até chegar em um rico empresário, que pinga centavos pelo quilo do lixo valioso. Filhos de carroceiros condenados a também, e somente, ser carroceiros, e basta um olhar atento para vermos que o ‘pra valer’ começa na idade escolar.
Esse nó social se sustenta pelo baixo custo de manutenção de um cvalo, que, ‘amigo do homem’, trabalha de Sol a Sol comendo e bebendo pouco, sem assistência e nem sinal de liberdade, abençoado – muitas vezes – pela morte súbida, precoce e rápiada, no asfalto quente e imundo da Capital. Não sofre mais, pelo menos.
Alguns abnegados ainda correm atrás, no ritmo enxuga-gelo, para socorrer os cavalos estourados pelo expediente forçado, sem remuneração nem escolha. Ficar preso em um aparato de amarras, cordas e ferros, movimentando um veículo instável e pesado cheio de entulho – e mais um, dois ou mais humanos – sem ter pecados a pagar, deve ser uma sensação e tanto. Quando um sapato aperta, eu penso na exaustão eqüina sem chance de defesa, argumentação fiolosófica, pedido de um copo d’água ou mesmo ‘chamar um guarda’.
E como os que puxam carroça, muitos animais foram cooptados pelo RH da humanidade, à força, e fazem o mundo girar no ritmo de seu cansaço. As cenas do trabalho rural com diversos animais não-humanos tomando parte na ativdiade sempre foram captadas pelas lentes sensíveis de fotógrafos para exalar bucolismo, e raramente denúncia. São cachorros cuja vida se mede no comprimento da eterna corrente, são as bestas de carga, os que correm atrás dos rebanhos etc. Escravos que cuidam e manejam outros escravos, presos que estão à prórpia condição de terem sido subjugados ou frustrados nas primeiras tentativas de liberdade, pela mão humana.
Esse patrão exigente que drena a vida de seus comandados, e que descansa no 1º de Maio.

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Ativista da VAL participa de programa na Record sobre limpeza ecológica

A nutricionista Claudia Lulkin, da Vanguarda Abolicionista, é uma esta entrevistadas do programa ‘Vida Orgânica’ – assim como Priscila Machado, outra conhecida ativista da Capital – a ser exibido neste sábado, 13, às 10h, na Rede Record RS – canal 2. As represises passam de segunda a sexta às 6h45min.

Release

“Você já parou para pensar sobre os efeitos dos produtos de limpeza no meio ambiente e na saúde humana? A gente foi conferir e no próximo sábado, dia 13, às 10h, no canal 2, mostramos para você. Desde a escolha dos alimentos até o consumo, a limpeza dos utensílios domésticos até o momento do descarte, influenciamos na limpeza do planeta e estamos, de alguma forma, gerando impacto ambiental. Nesse sentido, a proposta da faxina ecológica é utilizar produtos biodegradáveis e diminuir o descarte de resíduos, procurando reaproveitar ao máximo aquilo que consumimos.

Ao utilizar produtos menos impactantes à natureza ou até mesmo reutilizar materiais, você contribui para a saúde do planeta, pode evitar danos ao seu próprio bem-estar e também pode fazer uma boa economia.

Nesta edição, a gente ensina como fazer sabão caseiro e outros produtos, como detergente, lava-louças e aromatizador de ambiente. A partir de uma conversa com Denis Beauchamp, autor do livro ‘A Casa Limpa da Faxineira Ecológica’, iremos dar várias dicas para facilitar a faxina. Com a artesã Maria Isabel Bonotto, aprendemos a produzir uma vassoura de garrafa pet. Mariza Fernanda Powe Reis, responsável pelo projeto de coleta de óleo do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) e a química do Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE), Adriana Cechin, falam da importância de cuidar do descarte de resíduos, e seus impactos para a cidade.

No quadro de gastronomia, a culinarista Priscilla Carniel Machado e a nutricionista Cláudia Lulkin ensinam uma refeição que realiza uma verdadeira faxina interior pela alimentação. Com uma refeição saudável (salada, suco de melancia e açaí na tigela), o corpo passa por uma desintoxicação e está mais preparado para assimilar os nutrientes. Não perca: É no próximo sábado, dia 13, às 10h ou de segunda a sexta, às 6h45min na Rede Record RS – Canal 2.

Acesse e deixe suas sugestões, críticas e comentários”.

via Vanguarda Abolicionista.

Rádio da UFRGS entrevista ativista nesta sexta

O programa Visão Social desta sexta-feira, dia 5 de março, vai entrevista o ativista Maurício Varallo, idealizador da Sentiens Defesa Animal, sobre a criação da 1ª Promotoria de Defesa Animal no Brasil. O programa vai ao ar às 10h5min, na Rádio da Universidade – UFRGS, AM 1080 Khz. Pode ser acessado em tempo real no site , e os arquivos. A apresentação é da jornalista Cris Guimarães.

via Vanguarda Abolicionista.

Cavalgada do Mar

Vereadores querem conhecer cronograma para Lei das Carroças

Fonte: VAL – VANGUARDA ABOLICIONISTA

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por Vítor Bley de Moraes

A Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana da Câmara (Cedecondh) discutirá, na próxima terça-feira (9/3), a regulamentação da chamada Lei das Carroças, em vigor há um ano e meio. Na reunião, sugerida pelo vereador Sebastião Melo (PMDB), os vereadores pretendem saber da prefeitura quais ações já foram implantadas, assim como avaliar os planejamentos e prazos.

A lei aprovada pela Câmara estabelece prazo de oito anos para a retirada gradativa das carroças das ruas de Porto Alegre, com políticas de inclusão social aos carroceiros. Foram convidados a participar a Secretaria Municipal de Governança Local, Smic, Smam, Secretaria Municipal da Saúde, Secretaria Municipal de Segurança Urbana, SMGAE, DMLU, EPTC, Fasc, Smed, Demhab, GVP, PGM e Ministério Público Estadual. O início está previsto para as 14h, na sala 302 da sede do Legislativo municipal (Av. Loureiro da Silva, 255).

Ouvintes da Rádio Gaúcha rejeitam Cavalgada do Mar

Nesta terça-feira, di 2 de março, o programa ‘Polêmica’, apresentado por Lauro Quadros na Rádio Gaúcha, debateu a Cavalgada do Mar. Das 2100 pessoas que ligaram para participar, 59% foram contra o evento, e 41% a favor. Para ouvir o programa, clique em

http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&contentID=103035&channel=232.

“Cavalgada do Mar” na Rádio Gaúcha, nesta terça

Nesta terça, 2 de março, às 9h30min, em POA/RS, o programa ‘Polêmica’, do jornalista Lauro Quadros, abordará a Cavalgada do Mar (saiba mais), evento “tradicionalista” gaúcho que têm gerado intensos debates devido aos maus tratos sofridos pelos cavalos.

Defendendo a Cavalgada estará Vilmar Romera, presidente da Fundação Cavalgada do Mar, que afirmou recentemente na Imprensa que “O animal tem de ser preparado. Esse é um problema do dono do cavalo. É como mulher. Se tu não tratares bem, vais levar guampa”.

Detalhe irônico: o lema da cavalgada deste ano era ‘Mulheres a Cavalo pelo Rio Grande’.

A cavalgada da gordura!

Qual o sentido da Cavalgada do Mar? Depois que morreram dois cavalos e 15 adoeceram no primeiro dia da cavalgada, acendeu-se a polêmica.

Fui me socorrer no nosso mais importante tradicionalista. O folclorista Paixão Côrtes não vê propósito nessa cavalgada. Disse mais: que cultuar a tradição não é só cantar, dançar e beber.

As entidades de proteção dos animais protestam.

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Pensando bem, parece tanto ridículo quanto cruel submeter os cavalos ao percurso de 240 quilômetros em oito dias. Ainda por cima, cada um com um cavaleiro no dorso. É desumano. Se já o é para o cavaleiro, imagine para o cavalo.

Some-se a isso a época por todos os títulos inadequada, calor sufocante e sol escaldante.

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Sob o ponto de vista dos cavalos, há vários inconvenientes que levam à morte e à doença dos animais, mas ressalto dois: grande parte dos cavalos é forçada ao caminho longo com obesidade, animais bem tratados e nunca treinados, mais aumenta a gordura.

Outra questão é que, quanto maior o peso do cavaleiro, maior o esforço que o cavalo terá de fazer. Grande parte dos cavaleiros é de obesos. Se o cavalo não estiver preparado, pode não aguentar o peso de sua montaria, principalmente debaixo de sol forte, como é o caso dessa cavalgada.

*

E os cavalos que mais sofrem nessa cruzada litorânea são justamente os cavalos mais obesos, o que estão acima do peso ideal. Dizem os veterinários que os cavalos gordos, além de suportar o esforço, são os mais suscetíveis de ataques cardíacos. E a gordura dos animais é encarada como sinal de beleza pelos proprietários. São animais sedentários, montados apenas nos finais de semana e superalimentados.

Ora, para qualquer prova de resistência é necessário, como nas maratonas, um treinamento intenso para os participantes. Esses cavalos não têm treinamento algum e são jogados a essa superdistância sem nenhuma orientação.

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Temos, então, gordura dupla: gordura dos cavalos, gordura dos cavaleiros, segundo foi divulgado por Zero Hora.

Devia se intitular de Cavalgada da Gordura.

Só que o cavaleiro gordo monta o cavalo e toca para a praia. Enquanto que cabe ao cavalo o sacrifício extremo de transportar em seu lombo o cavaleiro gordo.

É uma desumanidade. Ou uma desequinidade.

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O meu amigo Vilmar Romera, presidente da Fundação Cultural Cavalgada do Mar, saiu-se graciosamente ao explicar a morte dos cavalos: “O animal tem de ser preparado. Esse é um problema do dono do cavalo. É como mulher, se tu não a tratares bem, vais levar guampa”.

Mas o que é isto? Nessa situação, perde o marido traído, mas, na situação da cavalgada, cavalo maltratado é prejuízo só para o cavalo.

*

Romera diz ainda, como líder, que não tem autoridade para vetar a participação de ninguém na cavalgada e não tem culpa por alguém matar o seu cavalo.

Mas o que é isto, Romera? Esta responsabilidade é exclusiva da organização da cavalgada. Se ela não intervém, ninguém intervém.

Ou melhor, intervêm adequadamente as associações protetoras dos animais, únicas entidades que podem defender os pobres cavalos.

Não resta dúvida, tem de suspender essas cavalgadas, imediatamente. Não sou eu, alienado, que estou dizendo. É o Paixão Côrtes, minha gente!

Tem de acabar para sempre esse irracional exibicionismo para os banhistas.

por Paulo SantAna – Zero Hora, 1º de março de 2010

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Filhos: cheiro de egoísmo assando na cozinha

Vanguarda Abolicionista – Marcio de Almeida Bueno

Aí vem um calor desgraçado como esse que estava aqui em Porto Alegre, de não se conseguir respirar direito, nem dormir, nem comer, e muito menos fazer história. Eu pensava nos cavalos sobre o asfalto, sedentos e carregando os engodos sociais/letargias legais nas costas. Pensava também nos porcos em chiqueiros de teto de zinco, logo acima de suas cabeças. Eu estava adoentado, deitado em um quarto com ar-condicionado e ventilador na cara, e ainda assim a opressão externa e interna era enorme. Armava-se um temporal de alívio, mas não chovia, frustrante como um coito interrompido.

Cavalos e porcos rolando no meu suor, dores pelo corpo, remorso pela minha condição de humano. Ok, dias antes eu estava no ativismo em pleno Fórum Social Mundial, mas eu não estava logo em seguida soltando o anzol preso nas pregas anais de milhões de animais, sob aquele calor de forno de padaria. Estava no ar-condicionado, e reclamando.

De quem é a culpa?

Dos pais. De todo aquele que quer ser pai, ser mãe, e aí compra sapatinhos de tricô, aquele livroNomes Para Seu Bebê e faz encomenda à cegonha. A culpa pelo rolo todo, de A a Z, da pecuária enrabando a Amazônia até cada cachorro sarnento sendo chutado na rua, é dos ‘pais’. Pessoal que exige colocar neste mundo mais uma pessoa, como se 6 bilhões de tranqueiras já não bastassem. Mais gente que vai querer comer bifinho, que precisa de remédios, madeira, asfalto, escola, conexão de Internet ou um canto a mais na favela.

Em O Contrato Animal, Desmond Morris deixa claro o engodo demagógico de se pensar no desenvolvimento como ‘mais empregos, mais escolas, mais estradas, mais moradias’ – e não melhores empregos para quem já habita o planeta, melhores escolas e tal.

Obviamente que de algum lugar tem que vir a matéria-prima para fornecer comida, roupa, sapato, celular etc. para toda essa gente e para seus filhos, e haja floresta para se derrubar – adeus, animais silvestres – ou incremento na extração de produtos animais, em toda sua gama de lucro fedendo a sangue e confinamento.

Parece que só tendo um filho é que muita gente se sente parte do mundo, quase um ato patriótico de construção de população, como se isso realmente fosse necessário. Se o objetivo é criar uma outra pessoa, educar, dar meios para ser um adulto, que se tenha um mínimo de pena das crianças à espera de adoção, no lugar do egoísmo frouxo e ‘boa família’ que habita corações e mentes de casaizinhos socialmente ingênuos.

O maior ato de amor, nessa farsa chamada ‘a instituição da família’, seria trazer para dentro da própria casa uma pessoa que não saiu de um útero-forno de padaria após mistura de ingredientes próprios. Que diferença faz para o sentimento? Sinto cheiro de egoísmo assando na cozinha.

E claro que os animais, Morlocks de nosso tempo, estão ardendo em um inferno mais quente para que o mercado atenda essa demanda crescente de gente, gente, gente. Mais ovos de Páscoa, mais presunto no supermercado, mais cochonilhas torradas para as bolachinhas recheadas, mais gado trazido à vida – quanta bondade… – pelos pecuaristas, mais ovo saindo do cu das galinhas para que novos humanos aproveitem, a seu bel-prazer, os confortos e as delícias oriundas do abuso dos animais.

‘Mãe, quero um cachorro’, ‘cadê meu iogurte?’ e ‘ganhei uma bola de futebol da vovó’ são frases singelas e até musicais para os ouvidos de pais patriotas felizes, mas significam um alicate apertando cada vez mais forte a prega anal de um animal – mesmo que a criança use lancheira de porquinho, camiseta de bichinho ou assista aos longas de animação estrelados por animais.

Sim, já ouvi falar que ‘vocês veganos’  ’são contra crianças’, ‘odeiam bebês’ e demais lendas preconceituosas, mas eu apenas parei para pensar, há muitos anos, e não deixei que essa escolha fosse determinada pela pressão social, pela mídia, pelas comadres fofoqueiras – ‘quando é que vêm os herdeiros?’ – nem pela tradição, esse tacape invisível e estúpido que paira por sobre a cabeça de todos os imbecis, empurrados para um emprego, um time de futebol, um candidato e, especialmente, a uma alimentação indiferente ao sofrimento, três vezes ao dia.

Se criticamos o passado, nos indignamos com a intolerância de nossos ancestrais, consideramos absurdo o patrulhamento de vidas, culturas e recursos em épocas remotas, é preciso parar para pensar, sem se apegar às bochechas rosadas dos álbuns de fotografia da família. Ter responsabilidade social e ambiental vai significar algum esforço, senhores e senhoras que escreveram ‘ética’ a lápis em seus crachás.

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