Estupro à luz do dia.

Nota do editor: Este artigo não representa posição editorial de ((o))eco com relação à atual disputa eleitoral. As opiniões aqui expressadas são de responsabilidade do autor.

Ao se aproximar, enfim e felizmente, o apagar das luzes de um dos des-governos mais inimigos da conservação da Natureza que este país já viu, muito embora o coro de pelegos e chapas-branca do ambientalismo tente de tudo para escamotear este fato, seria de se esperar que ao menos arrefecesse a fúria estatal de destruição da biodiversidade brasileira, alimentada pela ignorância recalcada de nosso Einstein de Garanhuns contra as pererecas e bagres, reiterada em discurso criminoso e incitador à desobediência da legislação ambiental há poucos dias em Porto Alegre que, alguém lhe soprou no ouvido, “atrapáiam o pogreço”. Mas não – o que se vê, a temperar de maneira inequívoca a campanha eleitoral em que o Pai dos Pobres abusa da máquina pública para tentar fazer sua sucessora, é a perda definitiva de qualquer vergonha em acabar com os limites para a depredação, a mineração, o estupro do que resta de nosso patrimônio natural, na forma de agradinhos ao que há de mais retrógrado no empresariado nacional, certamente à espera de óbolos e apoios para a campanha presidencial de PT et caterva para o vindouro outubro. Continue a ler

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Anima nobili x Anima vili: nós, os senhores do universo e os outros animais, nossos escravos…

por Paula Brügger

Diversos autores1 têm demonstrado, de forma contundente, como são problemáticos os dados provenientes da vivissecção – a realização de operações ou estudos em animais vivos para a observação de determinados fenômenos. Sob o ponto de vista ético a vivissecção é ainda mais insustentável, embora seus praticantes insistam em defendê-la se valendo de argumentos que, em maior ou menor grau, são improcedentes2. O mais comum e tosco deles – repetido ad nauseam – geralmente se expressa na famosa pergunta: – se não testarmos em animais testaremos em pessoas, ou em criancinhas? (como se não existissem alternativas ou métodos substitutivos e como se os seres humanos não fizessem parte de etapa alguma da pesquisa, entre outras considerações). Continue a ler

Nunca fui santo

por Rafael Jacobsen

Conversar com pessoas elevadas espiritualmente costuma ser tarefa difícil, principalmente quando o tópico resvala para a questão que se poderia denominar “compaixão pelos animais”. Sempre, nessas ocasiões, acabo me vendo obrigado a revelar o meu vegetarianismo. Na maioria das vezes, o espiritualizado interlocutor responde, com sua voz calma, cheia de paz: “Sim, você está certo; é uma pena que eu ainda não tenha atingido esse estágio de evolução.” E não, em 97% das vezes, não se trata de uma ironia: a outra pessoa, de fato, crê que, para se tornar vegetariano, o sujeito precisa estar nos mais altos degraus de uma espécie de hipotético “ranking de santidade”. Continue a ler

Veganismo: definição revisitada

Vários e das mais variadas espécies são os motivos que levam as pessoas a se tornarem vegetarianas ou mesmo veganas. Uma metáfora pode ser utilizada para sintetizá-los: as “quatro portas”, que compreendem os quatro tipos de argumentos comumente utilizados na defesa e divulgação do vegetarianismo/veganismo. São razões de ordem médica, social, ambiental e ética.

As duas primeiras “portas” congregam argumentos em prol dos seres humanos e que quase sempre aparecem segmentados já que são distintos na medida em que referem-se à pessoa em si – para quem se dirige os argumentos – e aos demais indivíduos – o conjunto dos seres humanos.

Há ainda uma classe de argumentos que envolve as fés religiosas particulares. São razões de ordem espiritual que afirmam ser o assassínio de animais e a ingestão de alimentos com base nos pedaços de seus corpos prejudicial energética e carmicamente ao ser humano. Esses argumentos carecem que se creia na permanência da vida no pós-morte e na natureza daquele estado. A omissão ou a refutação que se possam fazer a essa classe de argumentos não prejudicam a permanência e a validade dos movimentos de ideais veganos. Continue a ler

Texto cético tenta “desmascarar” veganismo(?)

Gostaria que quem tivesse estômago pra ler esse texto pudesse comentá-lo. Só peço que não comentem no blog, porque, como todo polemista, seu desejo é deixar perturbados os “vegans religiosos” (curioso que onívoros mais reaças adoram chamar vegetarianos, veganos e outros defensores dos animais de “vegans” como sinal de desprezo).


Veganismo Desmascarado

Talvez, vocês tenham presenciado uma cena semelhante: Você vem andando pela calçada e é abordado por uma moça. Ela pede um minuto de sua atenção e você, como todo bom idiota, para para (maldito acordo ortográfico!) dar atenção – e depois lamentar de não ter continuado andando. Ela diz que quer falar com você e lhe entrega um panfleto. Ela, com seu sorrisinho, fala pra você mudar de postura, pois a mesma é errada, que você deveria ver o mundo com outros olhos, ser mais ético. Que, assim que mudar, sua vida melhorará e ajudará a fazer um mundo sem sofrimento.

Você deve estar pensando em alguma Testemunha de Jeová, com sua revista Sentinela, mas não. Estou falando de uma das novas religiões que apareceram nos últimos tempos: o Veganismo. Sim, pois a onda Vegan está mais parecida com religião do que qualquer outra coisa, e aqui eu demonstrarei o porquê.
Primeiro de tudo, vamos entender o que é veganismo e, para isso, vamos ver sua origem: o vegetarianismo. Não, os dois não são a mesma coisa.
O vegetarianismo não tem nada de complicado: A pessoa não gosta de comer carne e prefere alimentar-se apenas de vegetais. Simples assim. Há alguns que se alimentam de ovos, leite e derivados (seja de vaca, cabra ou outro animal qualquer), ovas (de peixe, claro) etc. Não é muito diferente se eu não quiser comer ovos mexidos, por exemplo (detesto ovos mexidos), ou quiabo (odeio quiabo!). A pessoa come o que quiser e pronto! Fim da história. É mais ou menos como acontecem nas religiões: Um camarada cisma que existe um deus (chamemos Coxarrebolante). Ele faz umas preces a Coxarrebolante, venera Coxarrebolante e continua a sua vidinha. Outros acham que isso deve ser seguido com maior rigor, daí constroem um templo para Coxarrebolante, fazem “UUUUUUhhhhh” para Coxarrebolante, dedicam oferendas e assim tem início a religião do Coxarrebolantismo. Todos TÊM que ser coxarrebolantistas, pois caso contrário serão considerados hereges e atirados no inferno. Continue a ler

Você vai ser o quê?

Por Douglas Dunn*

A transformação de um pai descrente

“Você vai ser o quê?” Estamos em 1990 e Jo Ann, minha filha de 15 anos, acaba de anunciar que decidiu tomar-se vegetariana. Logo ela, cujo prato favorito é um bife suculento? Esta menina que, no aniversário de 6 anos, podia escolher qualquer restaurante mas preferia o McDonald’s? E agora não quer mais comer carne! Já havia sido bem ruim quando ela se declarou ambientalista e começou a catar garrafas vazias na rua — e no lixo do vizinho — trazendo-as para casa para reciclagem. Será que precisava escolher uma causa que vai perturbar nossas refeições?

Procuro me lembrar que Jo Ann já é bem crescida para tomar certas decisões. De qualquer modo, não adiantaria nada eu tentar impedir; isso só a tornaria mais decidida. Sei bem como ela é — eu a criei sozinho, desde pequenina até aos 13 anos, quando me casei de novo. Essa novidade de querer tornar-se vegetariana é só um capricho — vai passar logo. Enquanto isso, resolvo testar sua sinceridade. “Tudo bem”, eu disse a ela… “Mas não quero que comprometa sua saúde. Vou respeitar sua decisão, mas se você para de comer carne, tem que pesquisar e preparar refeições saudáveis.” Continue a ler

Abolicionismo Animal

Texto sobre Abolicionismo Animal feito para a apostila do 1° Educaveg – reunião de veganos, vegetarianos e onívoros de Assis e região, realizada pelo coletivo V.I.D.A. (Veículo de Intervenção pelo Direito Animal) em conjunto com a Fábrica da Leitura

Assim como o racismo afirma a superioridade de um grupo racial sobre outro, e o sexismo a superioridade de um sexo perante outro, o termo ESPECISMO significa julgarmos uma espécie superior a outra. Na escravidão animal, o especismo qualifica e justifica a exploração de animais não-humanos por animais humanos. Assim como os brancos tentaram impor-se sobre os negros (racismo), ou os homens sobre as mulheres (sexismo), hoje nós, humanos, tentamos nos impor sobre outras espécies de animais não-humanas. Tornando-as simples objetos e mercadorias, sem valor inerente, ou seja, o valor de suas vidas está diretamente relacionado ao uso que nós fazemos dela. Deixamos, portanto, de considerar o interesse desses animais em sua própria vida e liberdade. Continue a ler