ESCOLHAS ALIMENTARES X IMPACTO AMBIENTAL

Depois de muito tempo ausente, resolvi retomar meu blog com um assunto extremamente importante. Aproveitando os debates que estão acontecendo pela semana da Conferência do clima em Copenhague (COP15), eu pergunto:
Você já se perguntou se está fazendo a sua parte para reduzir o impacto ambiental? Diminuir o tempo no banho, fechar a torneira enquanto escova os dentes, reciclar o lixo reciclável, andar mais a pé e de bicicleta, reduzir o consumo em geral, etc… Estas coisas tornaram-se óbvias, pelo menos para parte das pessoas, que tentam, na correria da vida, fazer algumas mudanças que estão ao seu alcance para ficarem com a consciência mais tranqüila. Porém ainda existe muita coisa que a gente não sabe, e por isso não faz; ou ainda faz, e muito. Existe algo que fazemos todos os dias, diversas vezes ao dia, e que é vital, indispensável à vida: alimentar-se. Porém, se alimentar é muito diferente de se NUTRIR, que é o que realmente supre as necessidades do organismo e mantém a saúde plena. Alimentar-se é colocar qualquer coisa na boca, engolir de qualquer jeito e encher a barriga a todo custo para satisfazer vontades e matar a fome momentânea, que é o que se tem feito nos últimos anos. Com a industrialização e globalização vieram muitas coisas boas, práticas, rápidas, que adiantam a nossa vida, e talvez também a nossa morte, ou pelo menos afetam em muito a nossa qualidade de vida. Salgadinhos, biscoitos recheados e não recheados, wafers, balas chicletes, congelados e descongelados, todos com muitas calorias e nenhum benefício. Se fosse só não ajudar, vá lá, mas o pior é que atrapalha bastante. Além do grande impacto na nossa barriga, estômago, intestino, fígado, rins, pele, mente,… você já imaginou a quantidade de lixo produzido com este tipo de consumo? São embalagens e mais embalagens descartadas segundos depois da abertura, e muitas delas nem podem ser recicladas.Também já parou pra pensar o quanto de recursos, matéria-prima, tempo, água, luz,….se gasta em hospitais para tratar pessoas doentes pela MÁ NUTRIÇÃO, desencadeada tanto pelo excesso de gorduras, aditivos e outros não-nutrientes presentes nesse tipo de alimento como pela falta de nutrientes nos mesmos? O consumo de medicamentos, para tratar tais doenças também requer todos estes recursos, e ainda gera um lixo tóxico (pense para onde vão os materiais descartáveis, seringas, tubos, embalagens de remédios e medicamentos eliminados na urina dos indivíduos…).
 Alimentos industrializados viciam e não alimentam, duas coisas que nos fazem procurar cada vez mais por eles, produzindo cada vez mais doenças e lixo. Tenho que comentar também sobre o impacto dos alimentos transgênicos. Alguém sabe o que um alimento transgênico pode causar no nosso organismo a longo prazo? Creio que não…. Mas a curto prazo já sabemos que eles podem mudar ecossistemas inteiros e que podem contaminar espécies originais vizinhas, gerando a possível extinção destas espécies. E os agrotóxicos e fertilizantes químicos despejados sem nenhum controle nas plantações de frutas, verduras e grãos que chegam no nosso prato? É outra fonte de toxinas para o nosso organismo e para o nosso solo, nossa água, etc. Os alimentos que mais alimentam também já não alimentam tanto assim. O solo ficou pobre em nutrientes e rico em toxinas,…mais toxinas…
Cabe a nós começar com a nossa contribuição, dia-a-dia, para que em grupo façamos a diferença. Escolha de início pelo menos uma das dicas abaixo e comece a mudar hábitos alimentares!
1. Reduza o consumo de industrializados (aumentando o consumo de vegetais, frutas e cereais e tubérculos);
2. Quando consumir industrializados, verifique nos ingredientes a quantidade de aditivos (substâncias estranhas, conservantes, corantes, adoçantes, números, códigos) – Prefira os integrais, que possuam menos aditivos, menos processamento, menos refinamentos, menos embalagens etc; Priorize os produtos que possuam embalagens recicláveis (procurar símbolo do triângulo de setas);
3. Prefira sempre alimentos orgânicos, sem agrotóxicos (verificar selo de certificação ou procurar locais confiáveis, feiras de bairro, pequenos produtores);
4. Prefira sempre alimentos não transgênicos (verificar triângulo amarelo com um T preto no rótulo). Existem sites que divulgam produtos com possíveis ingredientes transgênicos (
http://www.greenpeace.org/brasil/transgenicos/ )
5. Escolha suas marcas! Existem empresas que realmente se preocupam com o aquecimento global, com questões de sustentabilidade e como minimizar seus efeitos no ambiente, e outras que fazem o oposto. Pesquise, informe-se e diga não a marcas não sustentáveis, que utilizam aditivos em excesso, que produzem alimentos transgênicos, que poluem, etc
 
“Pense global e aja localmente”.
“Pense no futuro e aja imediatamente”.
 
 

Voltando ao assunto da alimentação no impacto ambiental, vou ter que falar também dos animais que consumimos. Não vou nem estender na parte do abate, da crueldade….. Mas eis abaixo algumas informações importantes sobre a criação de animais para consumo que vocês precisam saber:
• Os dejetos da criação em massa são os principais responsáveis pela poluição de lagos e lençóis freáticos por nitrato;
• Metade da poluição das águas causada pelo homem vem da criação de animais.
• O consumo de água para a produção de carne é muito maior do que o consumo para a produção de cereais (15.000 litros de água por Kg de carne produzida!!!);
• O amoníaco dos dejetos animais contribui muito para a
formação da chuva ácida.
• O prolongamento da corrente alimentar por meio do animal (carne) necessita muito mais terra do que a produção direta de alimentos vegetais.
(Fonte: Cartilha da Sociedade Vegetariana Brasileira – SVB em parceria com a FAO/ONU e IBGE)

Um Estudo (DIET AND THE ENVIRONMENT: DOES WHAT YOU EAT MATTER?) comparou os efeitos ambientais de uma dieta vegetariana e não vegetariana na Califórnia e verificou-se que a dieta não vegetariana consome: 2,9 vezes mais água; 2,5 vezes mais energia primária; 13 vezes mais fertilizantes; 1,4 vezes mais pesticidas; A dieta onívora tem um custo mais elevado para o ambiente em relação a uma dieta vegetariana. Portanto, da perspectiva ambiental, o que uma pessoa escolhe para comer faz a diferença.
À parte isso, sabe-se hoje que as vacas, carneiros, cabras e veados, através da flatulência, são grandes emissores de metano na atmosfera, somando, à toda a cadeia produtiva de carne, 18% de todos os gases causadores do aquecimento global (FAO/ONU), só perdendo para a queima de combustíveis fósseis e florestas, sendo que esta última também tem que ser intensificada quando se pensa em criação de animais para consumo. Atualmente, 2/3 das áreas agrícolas são destinadas à criação animal, o que equivale a 30% de terra disponível no mundo. Esses animais também têm que ser alimentados, utilizando mais terra para produzir alimento para gado, que poderia estar cultivando alimentos para alimentar bilhões de pessoas (FAO/ ONU). Também existe o fato de que esses animais têm que ser tratados com hormônios e antibióticos, que acabamos consumindo por tabela e mais uma vez aumentando doenças e contaminando água, solo,… O consumo excessivo de produtos de origem animal (carne vermelha, Leite e derivados) é uma opção cara e de grande impacto ambiental, além de ser um dos maiores responsáveis pelo aumento das doenças crônicas da atualidade. A pesca também está destruindo ecossistemas através da poluição pelos navios pesqueiros, peixes estão sendo extintos e até feminizados pela contaminação com os xenoestrógenos (toxinas do plástico, tintas dos cascos dos barcos e poluentes despejados nos mares, que agem como hormônios no organismo).

 
Você deve estar se perguntando neste exato momento: mas e aí, vamos viver de quê, de luz? O ideal seria, se nosso organismo não precisasse tanto de nutrientes…. Não estou pregando o vegetarianismo restrito e nem dizendo que temos que viver numa bolha. Mas espero que você esteja se vendo como parte deste problema, e quem sabe da solução. O que vale neste momento é o bom senso. É perfeitamente possível, e só depende de nós, realizar algumas mudanças nos hábitos e de escolhas alimentares, contribuindo para a sua saúde e das futuras gerações, além de reduzir consideravelmente o impacto ambiental. Aqui vai mais uma dica de um hábito que podemos mudar, preservando a saúde e o meio ambiente:

* Reduzir consumo de alimentos de origem animal (carne, frango, peixe, leite, queijos, etc) – Reduza a quantidade e a freqüência! Não precisamos de tanta proteína como costumamos consumir diariamente. Além disso, excesso de proteína também sobrecarrega o organismo e gera doenças. Se adequarmos outras fontes protéicas, não teremos problemas. Feijão, grão de bico, lentilha, ervilha, grãos integrais em geral (Arroz integral, Quinoa, Amaranto, Painço, cevada, etc), semente de girassol, gergelim, castanhas, nozes, amêndoas e cogumelos são boas fontes de proteína.

Questionem, discutam, informem-se e principalmente, realizem mudanças efetivas.

No mínimo PELA SAÚDE e PELO MEIO AMBIENTE!

 

One response to this post.

  1. Posted by Bruna on Setembro 12, 2016 at 04:37

    Olá, boa noite!
    Meu nome é Bruna, sou estudante de nutrição e vegetariana.
    Estou estudando mais a fundo sobre os impactos ambientais da alimentação onívora comparada à vegetariana para expor em uma feira de saúde da universidade, e gostaria de saber se você ainda tem as referências que usou para essa publicação, ou algum material científico que possa me fornecer? Me ajudaria muito!
    Desde já agradeço a atenção!
    Abraço!

    Responder

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