Mas como você pode provar que as plantas não sentem dor?

Para que não esqueçamos de onde o raciocínio está partindo, vamos  primeiro relembrar a proposta central dos Direitos Animais.

Como outros animais compartilham conosco certos atributos morais  relevantes, nos concedemos direitos a eles.  Os dois atributos morais relevantes são:
a) nossa capacidade de sentir dor e sofrer, e
b) nossa capacidade de “usufruir a vida”, isto é, de existir de tal  maneira que o nosso bem-estar ou mal-estar é importante para nos.

Ambas essas qualidades requerem a existência de estados mentais.  Também é digno de nota que, para falar de “estados mentais” da  maneira apropriada, nos devemos considerar que tais estados  são evidencia de que uma consciência existe.

É insuficiente assinalar estados mentais somente porque um ser  aparenta ter um objetivo. Vários objetos materiais se comportam  como se tivessem um objetivo, como veremos a seguir.

Termostatos reagem a variações de temperatura no ambiente e  respondem de maneira a restaurar o estado inicial “preferido”. Não  podemos a partir disso, alegar que os termostatos tem a capacidade
de “sentir” ou “perceber” algum tipo de “dor” térmica.

Então como vamos atribuir a existência de estados mentais a outros  seres, ou até a humanos segundo esse critério? Nos não podemos  deduzir que algo sente dor simplesmente pela presença de um  comportamento que funciona em direção a um determinado estado  preferido. Tampouco pela presença de um comportamento que funcione  com o sentido de evitar um determinado estimulo – que seria visto
como a causa da dor, no caso do termostato:  o desvio da temperatura  inicial. Mesmo pondo estes termos entre aspas, não evitamos o  absurdo desse argumento.

Assim fica claro que o critério baseado nas reações de evitar ou se  defender de um estimulo não é suficiente e nem necessário para se  afirmar que um ser é capaz de ter um estado mental equivalente à
sentir dor.

A ciência, incluindo as ciências biológicas, estão comprometidas com a postura do materialismo cientifico, ou fisicismo (veja “The Metaphysical Foundations of Modern Science”, E. A. Burtt, 1924), isto é, estas ciências assumem que a matéria seria a única coisa existente e que a matéria seria o elemento primordial do Universo.

Essa postura não impede que se admita a existência de qualidades como mente, consciência e sensação (ou até mesmo o livre-arbítrio), mas assume que todas essas qualidades são dependentes da existência
da matéria organizada de alguma forma.

A grosso modo, é como dizer que se não há um computador, não haverá nada para os programas rodarem. Se não há um cérebro intacto vivo, não haveria mente. Também deve ser dito que mesmo as teorias contemporâneas do dualismo mente-matéria também assumem que os estados mentais dependem da presença de matéria organizada.

Para definir o argumento rapidamente, dizemos que as funções cognitivas como a consciência e a mente emergem da matéria organizada o suficiente para isso.

[Isto, em outras palavras, seria dizer que a ciência parte da suposição de que o principio espiritual, se existir, é originado pela matéria. Ou seja, segundo o materialismo cientifico o principio espiritual não existiria independente da matéria e não preexistiria à matéria. Nota do Tradutor]

Do mesmo modo que a respiração é uma função de um complexo sistema de órgãos referidos como aparelho respiratório, assim também a consciência é uma função das capacidades de processamento de informação imensamente complexas de um sistema nervoso.

Segundo essa visão, seria possível, em teoria, que os computadores do futuro, dado um grau suficiente de organização das pecas (matéria) e da lógica de programação, poderiam exibir uma consciência ou algo equivalente.

Mesmo que tais computadores não existam, sabemos que certos organismos viventes nesse planeta possuem a complexidade necessária para a existência desses estados mentais.

Em teoria, plantas poderiam possuir um estado mental como a dor, mas somente se algum tecido vegetal de alguma planta fosse complexo o bastante para justificar o aparecimento de estados mentais de consciência e dor.

[Em outras palavras, as plantas são organismos simples demais para que possamos afirmar que elas tem consciência.
Nota do Tradutor]

Não há evidencia morfológica de que tal complexidade exista em plantas. Plantas não tem estruturas especializadas necessárias para o surgimento de estados mentais. Isso não é dizer que elas não possam exibir reações complexas, mas pensar que plantas sentem dor baseando-se nessas reações seria extrapolar o
significado delas.

Com relação a todos os mamíferos, pássaros e répteis, nos sabemos que eles possuem uma estrutura neural complexa o suficiente para habilitá-los a sentir dor, além da vantagem evolutiva de possuir tais estados de consciência.

Eles possuem órgãos sensoriais complexos e especializados, possuem estruturas especializadas de processamento de informação e de geração de comportamentos baseados nas integrações, reorganizações e representações mentais das informações obtidas do ambiente externo.

A atribuição da dor sentida nesses animais está bem justificada. Mas, não está tão bem justificada para as plantas.
TA

O absurdo (e freqüentemente ingenuidade) daqueles que acreditam que plantas sentem dor podem ser facilmente expostas com as duas questões a seguir:
1) Você concorda que animais como o cão e o gato devem receber anestesia antes de uma cirurgia? (a resposta seria sim)
2) Você concorda que plantas devam receber anestesia antes de podar?

One response to this post.

  1. Posted by Simone on Novembro 10, 2015 at 22:10

    Pois é, a dor dos outros animais não só é parecida com a nossa como é igual, tanto que os mesmos princípios ativos que são usados nos remédios para humanos são usados nos remédios veterinários para a dor.

    Responder

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