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Veganismo, uma questão de plena consciência

Ainda hoje, surpreendo-me com o espanto que muitas pessoas demonstram quando declaro ser vegan (uma classe de vegetarianos que não consome produtos ou alimentos de origem animal). Tenho a impressão de que pensam estar lidando com uma extraterrestre, até me questionam como vivo sem comer carne! Na verdade, penso que eu é quem deveria estar questionando em como podem comer cadáveres? Mas não o faço, até porque sei que os questionamentos são oriundos da má informação e falta de conscientização que levam ao terrível conceito de que “não podemos viver” sem comer a carne, consumo tão incentivado nas prateleiras dos açougues, dos supermercados e pela mídia.

Confesso que ao me tornar vegan, de início, achei muito trabalhoso ficar lendo os rótulos dos produtos nos mercados para selecionar os produtos que não tivessem ingredientes de origem animal. Mas movida pela determinação de não ser cúmplice dos assassinatos cruéis com os animais e de não contaminar mais meu organismo com os diversos venenos embutidos nos alimentos, segui em frente.

Milhares de pessoas, mundo afora, já aboliram a carne de seus pratos após tomarem conhecimento dos poderosos venenos utilizados na criação de gados e afins, e com isso,estão preservando a saúde de si próprias e a do planeta, já que aos poucos, a conscientização de que a pecuária é uma das maiores culpadas pela degradação do meio ambiente e de que será no futuro próximo a grande causadora da falta de água potável também, vai tomando vulto, finalmente. Inclusive, já foi constatado, tecnicamente, que o desmatamento de áreas imensas para o cultivo de grãos para o gado e para seu pasto poderiam muito bem serem utilizadas para o cultivo de alimentos para matar a fome das crianças famintas do planeta!

Infelizmente, não se faz um trabalho de esclarecimento para a população que ainda pensa que só a carne é capaz de torná-la saudável, ledo engano, é justamente o contrário! Várias doenças graves estão ligadas diretamente ao consumo da carne! É preciso que a grande população saiba que os vegetais, as leguminosas, os cereais e as frutas são os maiores responsáveis por uma saúde equilibrada e onde podemos encontrar em abundância os elementos principais para uma vida sadia, pois proteínas, carboidratos, lipídios, vitaminas, sais-minerais, fibras e muito mais são encontradas fora da carne. Os alimentos derivados do trigo, como, por exemplo: o pão e o macarrão são fontes de proteínas, carboidratos, vitaminas, ferro, zinco, além das fibras vegetais. Diria: bom, bonito e barato!

Se observarmos o porte dos bois, dos elefantes e dos cavalos veremos que não é a carne que os faz tão majestosos. Todos são vegetarianos! Se você quer adquirir proteína, consuma, além dos alimentos citados acima, o grão de bico, o arroz, o feijão, a soja, o amendoim, o brócolis, a batata, o pão, o espinafre, as leguminosas, aveia etc. As proteínas existem em fartura na natureza! Não é necessário ser conivente com a morte de outros seres vivos para continuar vivendo. Se todos tivessem a chance de ver como esses animais vivem e são abatidos, tenho a certeza de que a visão de suas tripas ensanguentadas e de seus gritos de dor, enquanto pendurados, retalhados e queimados fariam o ser humano abolir definitivamente a morte de seus pratos!

Hoje, quase 9 anos após a minha determinação de não viver à custa do sofrimento de outros seres, sento à mesa com muita satisfação, pois ser vegan, para mim, é uma questão de solidariedade ao próximo – homem ou animal. É uma questão de respeito às gerações futuras, é contribuir para a erradicação da fome no planeta, é proteger o meio ambiente e, sobretudo, livrar os animais das barbaridades que lhes são impostas em nome da ganância e da insensatez humana!

 RELATOS DE FISCAIS E INVESTIGADORES DE MATADOUROS:

Funcionários enfiam cabos de vassouras nos ânus dos animais;

Arrancam e furam com golpes os olhos dos mais rebeldes;

Espancam os animais até a morte;

Arrancam as peles de bois ainda vivos;

Cortam os pés,orelhas e mamas das vacas que ainda estão conscientes depois que as pistolas de atordoamento falharam;

Fazem imersão dos porcos ainda vivos nos tanques de escaldamento;

Galinhas, perus, patos e gansos são colocados nos tanques escaldantes ainda vivos, etc.

Infelizmente, sou obrigada a admitir que não existe infelicidade maior que nascer animal neste planeta enquanto sob o jugo dos humanos!

Fontes:

http://www.maeterra.com.br

http://www.vegetarianismo.com.br/artigos/proteinadietavegan.html

http://www.abritrigo.com.br/nutricao.asp

http://www.portalbrasil.net/educacao_seresvivos_vegetais.html

http://www.pea.org.br

Sugestão: Conheça Sua Carne – Meet Your Meat

“Depois de ver com seus próprios olhos o cruel processo de criação de animais para virarem comida, você entenderá por que milhões de pessoas decidiram deixar a carne fora de seus pratos. Para sempre.” Em uma narração comovente, o ator e ativista Alec Baldwin revela a verdade por trás da invenção mais cruel da humanidade – a criação de animais para alimento.
http://video.google.com/googleplayer.swf?docid=195777870900147944&hl=pt-PT&fs=true

A autora, Fátima Borges, é vice-presidente da ONG Defesa Animal e Ambiental com Apoio Jurídico (DAAJ). www.vegetarianismo.com.br.

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Carne x Saúde

O texto a seguir é muito rico em informações sobre a saúde do ser humano e o consumo de carnes.
Texto extraído do livro:
“As hortaliças da medicina doméstica”.

O homem não é carnívoro como a onça, pois não dispõe como esta, de garras e presas para matar um boi só com os membros dianteiros e a boca; nem é cadaverívoro como o corvo, pois, não tendo como este, glândulas neutralizadoras dos venenos, frequentemente se intoxica comendo carne; nem é onívoro como o porco, pois tem um organismo e um instinto diferente dos do suíno.

Os irracionais que comem carne preferem-na ao natural. Não a falsificam nem a disfarçam para mudar-lhe o gosto e o cheiro.
O ser humano, porém altera e dissimula a carne com temperos, para neutralizar a repugnância que esta produziria à sua vista, ao seu olfato e ao seu sabor.
O homem engana seu verdadeiro instinto com grave prejuízo de sua saúde.

“A natureza dotou o nosso instinto nutritivo de suas zelosas sentinelas que, em seus postos avançados no organismo, têm a missão de admitir ou recusar o alimento.
Vamos ao mercado, nos dirigimos às bancas de frutas, escolhemos as que melhor nos pareçam, e com toda a segurança podemos levá-las à boca, saboreando-as com prazer. Sucederá o mesmo com os postos de carne? Com toda a certeza, não.
Nossa vista e nosso olfato recusarão a presença desses despojos e muitas vezes teremos que tapar o nariz, pois esses cadáveres denunciarão já um avançado estado de decomposição; e, se conseguimos enganar a vista e o olfato, é devido à arte culinária que se encarrega da falsificação de sua primitiva forma e estado”.
Afirma o Professor Doutor José Nigro Basciano.

A carne é tida como alimento fortificante por excelência. Será exato? Não.

Está hoje provado que a carne é menos nutritiva do que a maior parte dos alimentos tirados do reino vegetal, como sejam: as frutas secas (nozes, castanhas, amêndoas), arroz, legumes secos (feijão, favas, lentilhas).

Pode-se mesmo dizer que, de todos os alimentos usuais (com exceção da soja, das frutas frescas, dos legumes frescos e dos tubérculos farináceos, como a batata), a carne é o menos nutritivo.

Um adulto, de peso médio, querendo nutrir-se exclusivamente de carne, terá de ingerir diariamente perto de três quilos e, mesmo assim, não estará bem alimentado.

A carne é tão pouco nutritiva que, para emagrecer um obeso, basta submetê-lo ao regime cárneo o mais absoluto.

Se a carne fosse um alimento preciosissímo, insubstituível pelo seu valor nutritivo excepcional, como geralmente se pensa, a sua supressão acarretaria naturalmente diminuição de peso, com sinais acentuados de fraqueza, debilidade, anemia, etc.

Na prática é o oposto que se observa.

A observação da natureza demonstra que os alimentos que dão, conservam e desenvolvem as forças, ou seja, os verdadeiramente nutritivos são os hidratos de carbono, as hortaliças e as frutas.

Deve-se considerar como um grande erro científico, talvez o maior e mais nefasto do último século, a afirmação de que o regime cárneo constitui uma alimentação fortificante por excelência.

A carne é muito mais excitante do que nutritiva.
Quem faz uso diário da carne, em quantidade não moderada, e a suprimir bruscamente um dia, embora a substitua por alimentos mais nutritivos, experimentará nesse dia uma sensação pronunciada de fraqueza, como se não tivesse se alimentado.
O que provoca essa falsa sensação de fraqueza não é a falta de alimento e sim a supressão do excitante, que, no caso presente, é a carne.
O mesmo fenômeno se observa com outros excitantes, tais como o álcool, o fumo, a morfina, etc.
Além de excitante, a carne é tóxica.
O líquido extraído dos músculos (o suco de carne), injetando na dose de 3 a 5 c.c., por quilo, mata um animal.
Entre os venenos contidos na carne, uns são ácidos pela sua própria toxidez, outros simplesmente porque são ácidos.

Da destruição da proteína da carne, na economia, se originam produtos de toxidez mais ou menos elevada: ácido úrico e quantidade apreciável de ácido sulfúrico e ácido fosfórico, sendo esses dois últimos muito energéticos e até cáusticos se não estivessem extremamente diluídos.

Todas as carnes, mesmo que sejam perfeitamente sãs, se encontram impregnadas de substâncias nocivas, e são mais tóxicas quando provêm de animais doentes ou simplesmente fadigados.
Os venenos da carne se multiplicam rapidamente após a morte do animal.
Quando a carne não é completamente digerida no estômago e intestino delgado, a albumina apodrece no grosso intestino, resultando daí a formação de novos venenos (ácidos graxos voláteis, ptomaínas), a maior parte de grande virulência.

Do intestino, a proteína da carne passa ao sangue: uma parte mínima se fixa nos tecidos e o resto é destruído, deixando como principais resíduos os ácidos úrico, sulfúrico e fosfórico.

A gordura da carne, oxidando-se põe em liberdade igualmente ácidos diversos. Daí uma superprodução de ácidos, que, quando não são eliminados ou neutralizados pelos alimentos alcalinos (hortaliças e frutas), ficam retidas nos órgãos, dando lugar a todas as manifestações do artritismo.

Assim se opera lentamente, mesmo com a carne bem digerida, uma espécie de intoxicação crônica, de que não suspeitamos. Porquanto, os seus progressos são infinitamente lentos, e que nós só percebemos quando o mal é irremediável.
Pascault.

Experiências do Dr. Ignotowsky demonstraram que em todos os animais que não se habituaram lentamente ao regime cárneo, a carne atua como um veneno violento.
Nos coelhos, por exemplo, o efeito da carne é fulminante, mesmo quando ela é fornecida em pequena quantidade, associada à alimentação habitual.
Do segundo dia em diante, a urina que era alcalina, torna-se ácida; os pobres animais emagrecem rapidamente e morrem.

Três gramas de carne – quantidade, que parece insignificante – basta para provocar no coelho efeitos tóxicos, que se traduzem por enterite com diarréia, acabando com matá-lo em seis a sete semanas.

Pode-se, de fato, habituar o coelho à alimentação cárnea, como sucedeu com o homem através das gerações. Misturando-se à alimentação do coelho 30 a 40 centigramas de carne por dia, ele acaba por tolerá-la; os filhos já suportam uma quantidade maior.
Após algumas gerações, os coelhos sucumbem mais ao uso da carne, sendo notável, porém, a sua decadência física.
Sucede com eles o que se observa nas famílias que abusam da carne; tornam-se todos artríticos.

“Os animais carnívoros conseguem transformar em amoníaco e tornar, portanto, inofensiva a carne que eles ingerem em grande quantidade, o que não se dá com a espécie humana”.
Relata o Dr. Gustavo Armbrust.

O homem, diz o Dr. Durville, não tem o poder de transformar a carne em amoníaco; a proteína contida em excesso na carne para ser eliminada, deve ser queimada. Ora, sabemos que as proteínas são maus combustíveis. Ao passo que os hidratos de carbono se queimam integralmente, deixando como resíduos apenas água e gás carbônico. A combustão das proteínas dá lugar aos produtos ácidos extremamente nocivos ao organismo.

O homem não é, aliás, carnívoro por natureza: falta-lhe para isso não só a dentição, mas também as glândulas eliminadoras de que os carnívoros são dotados.

O Dr. Domingos D´Ambrosio diz:
Todas as carnes são substâncias cadavéricas. Portanto, constam apenas de elementos em decomposição putrefata.

Falando das carnes, incluímos nelas também os peixes, pois, igualmente, são substâncias protéicas musculares, com o pejorativo que, quando em putrefação avançada, são mais nocivas do que as carnes de animais terrestres, pela libertação do fósforo, o qual, fora das combinações orgânicas, é muito tóxico.

As carnes até quando são queimadas e utilizadas por completo pelo metabolismo, deixam escórias muito tóxicas.
Quando a combustão e a utilização são parciais, deixam uma quantidade enormemente maior de substâncias danificas.

Além de sua ação putrefativa, pelas ptomaínas e saproínas, perturbadoras deletérias do sistema nervoso, em geral, e do encéfalo em particular, com a abundante produção de ácido úrico, concorrem na provocação da fatal acidose.

Quando os elementos ácidos se abarrotam em elevada quantidade nos sistemas circulatórios, estabelecem nos líquidos circulantes um estado de hiperacidade, que vai classificando com o nome de acidose crônica.

Com a sua persistência, começa por adoentar gradualmente os órgãos de fermentações e de eliminações, que são o sistema gastroentérico, o fígado e os rins.
A acidose, pois, é a causa das alterações e das debilidades orgânicas.
Por sí só ela é a responsável pela quase totalidade das doenças.
Uma vez enfermados, e até somente perturbados estes órgãos, o indivíduo já está nos limites de um campo patológico capaz de funestar mais ou menos intensamente à sua existência.

A acidose, não só é a causa direta de numerosas doenças, como também é o fator mais poderoso de recepção e cultura microbiana.
É também, a maior responsável pelas enfermidades específicas, produzidas por determinados micróbios.

Neste caso, a acidose, assim como todo o cortejo de substâncias estranhas, representa o adubo que fomenta e desenvolve os agentes produtores das tristes flogoses crônicas (sífilis, tuberculose, lepra, etc.) e das agudas, produzidas pelos numerosos cocôs e bacilos mais ou menos virulentos.

Um sangue limpo e com suas valiosas defesas, não permite a permanência nem o desenvolvimento de qualquer micróbio.

Ainda a palavra autorizada de alguns médicos:

O alcoolismo e o abuso da carne são os motivos pelos quais o homem não chega a viver até 140 ou 150 anos, como deveria suceder. – Dr. Henrique Roxo.

A freqüência dos casos de apendicite é devida principalmente à alimentação cárnea. – Dr A Gautier.

O reumatismo, a tuberculose, o câncer, a diabetes, a apendicite e outras enfermidades, são, em grande parte, causadas pelo costume de alimentar-se com cadáveres de animais. – Dr. Chittenden.

A carne é, ao contrário do que se pensa geralmente, um alimento medíocre.
Pensamos ser mais acertado abster-se da carne, para não adquirir desde verdes anos, o hábito de uma alimentação tóxica. – Dr. Alberto Seabra.

O caldo de carne não alimenta; não contém nenhum elemento nutritivo; pelo contrário, é perigoso para a saúde. – Dr. Charles Richete.

A carne não é um alimento que possua os princípios essencialmente nutritivos que à luz das descobertas mais recentes em matéria de nutrição foram estabelecidos como sendo indispensáveis à vida.
Os sais minerais, as vitaminas, os fermentos catalíticos e digestivos primordiais são elementos quase ausentes na carne.

A alimentação à base de carne, ao invés de produzir força, produz enfermidade, isto é, fraqueza.
O fato se explica pela razão de que o organismo humano não foi feito e nem está capacitado para assimilar e conservar os excessos de albumina (substância viscosa esbranquiçada que coagula pela ação do calor e que existe na clara do ovo, no soro do sangue e, em geral, nos líquidos dos organismos animais), proveniente dessa alimentação, os quais são prejudiciais à saúde.
Disso resulta que os produtos de desassimilação (transformação de substâncias em outras) da natureza essencialmente venenosa ficam retidos no organismo, passam ao sangue e o intoxicam. Essa intoxicação, ao tornar-se crônica e hereditária, cria os estados mórbidos que hoje têm os nomes de artritismo, reumatismo, diabetes, escrófula, tuberculose e também o câncer, enfermidade do nosso século.

O hábito de comer carne conduz ao alcoolismo pela sede mórbida que produz; ao tabagismo, por produzir excitação nervosa, na qual, por sua vez, conduz ao hábito de tomar café e ao uso de condimentos picantes para disfarçar o gosto, o cheiro e a vista dos restos cadavéricos apresentados à mesa do carnívoro, que, consciente ou inconscientemente, vive enganado com a idéia de que a carne é um verdadeiro alimento. – Dr. C. A. Obedman.

O que muitos ignoram é que a carne, principalmente a assada, grelhada (famoso churrasco), também produz câncer.
O famoso cancerologista italiano, da Organização Mundial de Saúde, Professor Carlo Cirtori, diretor da Divisão de Anatomia Patológica do Instituto Nacional de Tumores de Milão, anunciou em estudos concluídos em setembro de 1966 que as proteínas da carne grelhada se decompõem e suas substâncias graxas se transformam em hidrocarburetos, ativando e provocando as células cancerígenas.
De um quilo de carne assada em um churrasco – informou – obtém-se 6 gramas de benzo-pireno, quantidade essa que corresponde à produzida por 600 cigarros.

Dietas vegetarianas: primeiras perguntas e a pergunta mais importante

George Guimarães

São muitos os motivos que podem levar uma pessoa a optar por uma dieta vegana. Seja esse motivo a saúde, o meio ambiente, a religião ou os animais, a opção sempre causará mudanças em seu hábito alimentar diário, o que impactará a sua saúde. Por esse motivo, todos os veganos, mesmo os que não fizeram essa opção por saúde, devem observar alguns cuidados nutricionais.

A primeira questão que vêm à mente dos iniciantes é com relação à ingestão de proteína. Questionar a proteína em uma dieta vegana é como um reflexo involuntário, haja vista que a nossa sociedade tende a considerar a carne como sinônimo de proteína, o que não é verdadeiro. As proteínas são formadas por aminoácidos e todos os aminoácidos essenciais à nutrição humana podem ser encontrados nos alimentos de origem vegetal. Todos. O termo aminoácido essencial refere-se àqueles aminoácidos que precisam ser consumidos, pois não podem ser fabricados pelo corpo. Uma vez digerida a proteína e transformada em aminoácidos, o corpo não diferencia se esse aminoácido veio de um animal ou de um vegetal, pois a substância final é uma só.

É fato que existem aminoácidos que só estão presentes na carne, mas esses não são do tipo essencial, ou seja, não precisam ser ingeridos, pois há outras vias para a sua obtenção, como por exemplo a sua fabricação a partir de aminoácidos essenciais. Já que as proteínas podem ser obtidas em uma dieta vegetariana, resta saber quais são os alimentos fonte. Castanhas, nozes, amêndoas, sementes (como a de gergelim e a de girassol), feijões, grão-de-bico, lentilha, ervilha, soja e derivados são todos fontes riquíssimas de proteínas. A chave para conseguir todos os aminoácidos essenciais é variar ao máximo esses alimentos, optando a cada dia por duas ou mais fontes e alternando-as a cada dois ou três dias.

O ferro é tido como outro quase sinônimo da carne, mas isso também não é verdadeiro. É fato que a carne é muito rica em ferro, mas isso não significa que ela seja a única fonte útil desse mineral. O ferro pode ser encontrado em todos os alimentos citados acima (fontes de proteína) e ainda nos vegetais verde-escuros, no melado-de-cana e nas frutas secas. O ferro encontrado nas carnes pode ser mais bem absorvido do que o ferro encontrado nos vegetais. No entanto, o ferro encontrado nos vegetais será mais bem absorvido quando o estoque de ferro estiver baixo, ou seja, desde que haja demanda, o ferro encontrado nos vegetais é mais bem aproveitado, o que o caracteriza como sendo uma fonte adequada. Esse fato pode ser comprovado quando constatamos que a incidência de anemia entre a população vegana não é maior do que a incidência de anemia entre a população onívora.

Se comparados aos ovolactovegetarianos, os veganos têm uma taxa de ferro melhor. Isso porque os veganos excluem da dieta os laticínios, que além de serem uma péssima fonte de ferro, ainda prejudicam a absorção do ferro que possa estar presente em outros alimentos que compõem a refeição.

O cálcio é outro nutriente que à primeira vista pode parecer um nutriente de risco, mas essa preocupação se deriva de outro mito semelhante aos anteriores, que é o mito de que o cálcio seja sinônimo de leite, o que não passa de mais uma confusão. Na verdade, se observarmos a natureza, podemos facilmente constatar que o ser humano é o único animal que consome leite depois de passado o período de amamentação. Mesmo se considerarmos apenas a nossa espécie para essa observação, podemos constatar que há poucos séculos nós não fazíamos uso dos laticínios com a mesma intensidade com que fazemos hoje. Muitas civilizações nativas preservam até hoje o hábito de não fazer uso de qualquer laticínio passado o período de amamentação. Sendo assim, de onde a nossa espécie obteve o cálcio ao longo da evolução? Do mesmo lugar de onde os veganos o obtém hoje em dia. O cálcio pode ser obtido de fontes vegetais como as leguminosas, as oleaginosas, os vegetais verde-escuros, o melado-de-cana e as frutas, em especial as frutas secas. Ou seja, o cálcio pode ser encontrado nas mesmas fontes que fornecem o ferro. Desse modo, contando com fontes exclusivamente vegetais, ao ingerir o cálcio o vegano estará ingerindo também o ferro e vice-versa, o que já não ocorre quando as carnes e os laticínios estão presentes, pois ambos se colocam em único extremo: ou são fontes de ferro, ou são fontes de cálcio.

É justamente esse o motivo que explica o fato de os veganos terem um risco muito baixo de desenvolver anemia, pois os alimentos vegetais são sempre muito ricos em ferro e vêm acompanhados do cálcio. Já o leite é um alimento rico em cálcio e pobre em ferro e a carne tem característica oposta, sendo rica em ferro e pobre em cálcio. Sendo assim, para obter ambos o ferro e o cálcio, o onívoro deve consumir dois alimentos diferentes, ambos ricos em gordura, especialmente gordura saturada, e colesterol, além de serem pobres em fibras e substâncias antioxidantes. A conclusão é que para obter esses dois minerais em uma dieta onívora é preciso comer mais calorias, com mais gorduras e sem substâncias protetoras. Já em uma dieta vegana, esses nutrientes podem ser obtidos nos mesmos alimentos, acompanhados de menos calorias, menos gordura e uma abundância de fibras e substâncias com efeito antioxidante.

A única questão nutricional verdadeira para os veganos relaciona-se à vitamina B12, pois essa vitamina, que é produzida por bactérias, de fato não pode ser encontrada nos alimentos de origem vegetal, sendo necessária a sua suplementação na forma de suplemento oral. Isso não denota uma inadequação da dieta no sentido de ela não ser adequada à espécie humana. Ocorre que ao nos distanciarmos da natureza, deixamos de consumir bactérias em quantidade suficiente, o que é bom por vários motivos de saúde, mas em contrapartida prejudica a ingestão da vitamina B12. a solução p[ara esse problema moderno é o uso de uma solução igualmente moderna, que é a suplementação da vitamina, que pode ser obtida de fontes sintéticas.

Quando uma dieta vegana é praticada com critério, temos essas características positivas e o resultado, além de ter garantida a ingestão dos nutrientes essenciais, é a redução do risco de desenvolver doenças crônicas e degenerativas tais como diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares e algumas formas de câncer. Na verdade, já faz mais de 20 anos que a investigação científica acerca do tema das dietas vegetarianas deixou de ter como foco as possíveis carências nutricionais e passou a se interessar mais pelos efeitos protetores da dieta vegetariana. Apesar de ainda prevalecer entre o público leigo as questões acerca das carências alimentares na dieta vegetariana, a investigação científica atual já esgotou o tema em sua maior parte, superando a pergunta “é possível ser vegetariano?” para dar lugar à pergunta “por que os vegetarianos gozam de melhor saúde?”.

George Guimarães é nutricionista especializado em dietas vegetarianas. Vegetariano desde os quatro anos de idade e vegano há 14 anos, dirige a NutriVeg Consultoria em Nutrição Vegetariana, dedicando-se ao aconselhamento de pacientes vegetarianos em seu consultório enquanto colabora com instituições de ensino e pesquisa.

Ministra cursos e palestras sobre nutrição vegetariana em universidades e para o público em geral no Brasil e no exterior. É docente da primeira disciplina de nutrição vegetariana na pós-graduação da UNASP e tem trabalhos publicados em revistas científicas de alcance internacional.

Com participação assídua em congressos científicos e conferências no exterior e tendo publicado uma centena de artigos, é tido pelo público vegetariano e pela imprensa nacional como a principal fonte sobre o tema da nutrição vegetariana, tendo concedido nos últimos 12 anos mais de 400 entrevistas à imprensa.

Também dirige as duas unidades do VEGETHUS Restaurante Vegetariano, o mais antigo restaurante vegano do Brasil e é um ativista de destaque dentro do movimento de defesa animal. Desde 2006 preside o VEDDAS (Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade), grupo que vem ganhando destaque no movimento de defesa animal por suas ações e campanhas de efeito.

Seja em seu consultório, na sua colaboração em estudos científicos, nos restaurantes que dirige ou à frente de campanhas pelos direitos animais, todas as suas atividades são voltadas à difusão e argumentação científica em favor da nutrição vegetariana e do veganismo.

George Guimarães

Nutricionista e ativista pelos direitos animais. Dedica-se à pesquisa, aconselhamento e consultoria em nutrição vegetariana em seu consultório e dirige a NutriVeg Consultoria em Nutrição Vegetariana, onde orienta pacientes vegetarianos ou aqueles em transição para o vegetarianismo. Também dirige as duas unidades do VEGETHUS Restaurante Vegetariano, que promove cursos e eventos com o objetivo de difundir o veganismo. Também ministra cursos e palestras sobre o tema da nutrição vegetariana e veganismo em universidades e para o público em geral. Sua formação em nutrição vegetariana é composta em parte pela participação em congressos científicos e conferências no exterior. É docente da primeira disciplina de nutrição vegetariana em um curso de pós-graduação e tem trabalhos publicados em revistas científicas de alcance internacional. Seja no consultório, na colaboração em estudos científicos ou nos restaurantes que dirige, todas suas atividades profissionais são voltadas para a difusão do veganismo. Desde 2006 dirige o VEDDAS, grupo que vem ganhando destaque no movimento de defesa animal. Vegetariano desde os quatro anos de idade e vegano desde 1994.

Membro fundador da Sociedade Vegana.

Como tornar-se vegetariano

Vegetarianismo é o hábito alimentar que faz uso de produtos e ingredientes exclusivamente de origem vegetal, com abstenção de todos os ingredientes de origem animal. A adoção do vegetarianismo pode ser vista por muitos como uma restrição alimentar ou uma inconveniência social. Essa visão, porém, é enganosa. A retirada de apenas alguns poucos itens da dieta (carnes, leite, ovos, mel, etc) apenas pode parecer uma restrição alimentar para populações que restringem sua alimentação a esses poucos itens.

Vegetarianos tendem a se alimentar com uma variedade maior de itens do que não-vegetarianos e isso por si torna o vegetarianismo uma dieta menos restritiva do que a dieta convencional. Por esse motivo enfatizamos que o vegetarianismo não significa apenas a exclusão da carne, do leite e dos ovos da dieta, mas significa também a inclusão de outros itens alimentares talvez ainda nem conhecidos.

Como fazer substituições ?

As primeiras perguntas que ocorrem a uma pessoa defrontada pela primeira vez com o vegetarianismo são “Como substituir a carne?”, “Como substituir os ovos?”, “Como substituir o leite?”

Faz-se necessário esclarecer que no campo nutricional essas substituições são absolutamente desnecessárias. Com exceção da vitamina B12, que pode ser fornecida na forma de suplementos ou de alimentos fortificados, não existem outros nutrientes que estejam presentes apenas em alimentos de origem animal e que não possam ser obtidos nos alimentos de origem vegetal. Portanto, quando falamos em substituições estamos falando pelo ponto de vista gastronômico.

A combinação de feijão com arroz e uma boa salada é perfeita para satisfazer as necessidades nutricionais dos brasileiros. Mas alimentação é mais do que nutrição, envolve hábitos, preferências e conveniência.

Pratos vegetarianos podem ser preparados com ingredientes pouco convencionais, seguindo combinações pouco usuais e preparações complexas, mas também podem ser preparados de forma simples, tradicional, utilizando ingredientes facilmente disponíveis. Essa é uma questão de disponibilidade e preferência pessoal.

Adaptando seu cardápio

Famílias onívoras tendem a utilizar não mais do que dez pratos que se repetem sucessivamente. A maioria desses pratos podem ser facilmente adaptados ao vegetarianismo; os que não podem ser adaptados podem ser substituídos por outros pratos.

Uma forma bastante fácil de se tornar vegetariano é analisar seu cardápio atual. Nesse ponto, algumas perguntas devem ser feitas. “Eu me alimento bem?”, “Meu cardápio é suficientemente variado?”, “Dos alimentos vegetais, quais são aqueles que mais me agradam?”.

Em segundo lugar faz-se necessário identificar quais alimentos consumidos atualmente já são vegetarianos: feijão, arroz, macarronada, salada, sopa… É possível que esses alimentos não sejam realmente vegetarianos, pois em muitas casas o feijão é preparado com bacon ou banha, ou a massa de macarrões pode ter ovos, mas isso pode ser facilmente adaptado ao vegetarianismo.

Por exemplo, o macarrão com ovos e molho de tomate com carne moída pode ser substituído por pasta de sêmola sem ovos com molho de tomate, cebola e salsa; o feijão pode ser preparado com óleo de soja…

Em terceiro lugar, pode-se criar a variedade dentro desses alimentos já consumidos, ou seja, pode-se enriquecer ainda mais a dieta. Assim, uma família que sempre consuma feijão carioca pode as vezes consumir outras leguminosas (outras variedades de feijão, lentilhas, grão-de-bico, favas, etc), o arroz as vezes pode ser preparado junto ou substituído por outros cereais (arroz selvagem, trigo sarraceno, quinua, etc), a macarronada pode ser preparada com carne de soja ou creme de leite de soja, o presunto e o queijo podem ser tirados das saladas, que podem receber outros ingredientes antes não utilizados (rúcula, acelga, couve, almeirão, escarola, rabanete, etc); a sopa pode receber novos temperos e ser enriquecida com cubos de tofu.

Em quarto lugar, a substituição efetiva dos alimentos de origem animal da dieta. A necessidade de “substituição” de carne, leite, ovos, mel, etc se dá mais em um contexto sensorial do que nutricional. Conforme explicado anteriormente, feijão, arroz e uma boa salada são suficientes para satisfazer a maior parte de nossas necessidades nutricionais.

Porém, por diferentes motivos, as pessoas não-vegetarianas associam que um prato sem carne, frango, peixe, omelete ou queijo é um prato deficiente, cuja carência necessita ser suplementada. Essa carência é apenas aparente, mas por motivos culturais parece importante que novos vegetarianos encontrem no mercado formas de amenizar essa sensação de carência.

Assim, pode-se encontrar no mercado substituintes da carne animal com qualidades sensoriais que se assemelham a elas em diferentes preparações. São essas as proteínas vegetais texturizadas (PVT), em geral obtidas da soja e do glúten de trigo. Há PVTs pré-preparadas para se assemelharem em gosto e textura a diferentes cortes de carne, frango e peixe.

Leites vegetais, igualmente, podem se assemelhar sensorialmente ao leite animal, especialmente em preparações onde não sejam consumidos puros. Leites podem ser obtidos da soja, de cereais como arroz, aveia e gergelim, de castanhas, de amêndoas, de sementes de girassol, etc. Em preparações como bolos pode-se utilizar o leite de coco ou mesmo água, o que não interfere no resultado final.

Os ovos, quando utilizados em preparações, tem o mero propósito de conferir liga às massas. Nas receitas que pedem um ou dois ovos, muitas vezes esses podem ser substituídos por duas colheres de sopa de água para cada ovo. Outra opção é utilizar uma ou duas colheres de sopa de óleo vegetal para cada ovo ou ainda entre 30 e 50 gramas de tofu para cada ovo.

Em receitas cujo propósito seja realizar uma mucilagem com ovos, como aquelas que utilizam claras, cada ovo deve ser substituído por uma colher de sopa cheia de sementes de linhaça trituradas com ½ xícara de café de água quente

Uma alternativa empregada, especialmente no caso de alimentos a serem fritos à milanesa, é passar o alimento a ser preparado em uma mistura contendo uma colher de sopa de farinha de soja ou farinha de milho adicionadas de duas colheres de água para cada ovo. Substitutos dos ovos de origem vegetal estão disponíveis no mercado, geralmente em formulações em pó.

Em quinto lugar, o novo vegetariano deve buscar por novas receitas que melhor se adequem às suas preferências pessoais. Há no mercado livros de receitas vegetarianas desenvolvidos para atender a todos os gostos: Pratos rápidos, regionais, internacionais, étnicos, voltados para dias de festa, feriados religiosos, doces, bolos, pizzas, etc. Igualmente, muitos sites disponibilizam receitas na internet. Recomenda-se que os iniciantes optem por livros e sites produzidos em seus países, atendendo às preferências, peculiaridades e à disponibilidade de ingredientes locais.

Alimentando-se na rua

Com frequência, o principal empecilho à adoção do vegetarianismo é a percepção de inconveniência em se alimentar fora de casa. Pessoas que almoçam regularmente fora de casa e que não dispõem de facilidade de frequentar restaurantes vegetarianos podem considerar impossível adotar esse hábito alimentar.

Na prática, porém, um vegetariano pode se alimentar bem mesmo quando se vê obrigado a comer fora de casa e não dispõe de restaurantes vegetarianos por perto. Isso é verdadeiro especialmente em restaurantes self-service, mas alguns cuidados devem ser tomados em relação à preparação de alimentos, se eles são preparados com banha ou óleo vegetal. Mesmo churrascarias dispõem de um bufê de saladas repleto de opções para vegetarianos, além de outras opções.

A possibilidade de comer carne, queijo e ovos parece alterar a percepção das pessoas para as possibilidade de não comê-los. Com frequência, pessoas que pegam esses itens em um restaurante deixam de perceber a existência de tantos outros que não contém ingredientes de origem animal.

Há muitos sites na internet que informam sobre a existência de restaurantes vegetarianos e amigáveis para vegetarianos disponíveis em cada localidade.

Certamente o vegetarianismo não é uma corrente dietética restritiva, pelo contrário, o vegetarianismo é uma corrente dietética cheia de possibilidades.

Sociedade Vegana Brasileira

Alimentação Vegetariana

Irina Maia – Bióloga e Vegetariana

A alimentação vegetariana tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos, apesar de continuar a ser minoritária entre nós. Aqui são apresentados argumentos de saúde, ambientais e económicos a favor do vegetarianismo, sendo a autora Bióloga e Vegetariana.

O vegetarianismo não é uma moda recente. Ao longo da história da humanidade houve pequenos grupos e povos inteiros, que por razões religiosas, económicas, culturais ou ambientais, seguiram uma dieta exclusivamente ou predominantemente vegetariana.
Moda recente é o destaque que os produtos de origem animal passaram a ter na nossa alimentação. Basta falarmos com os nossos pais e avós, para rapidamente percebermos que ainda há poucas décadas atrás, a carne e o peixe eram alimentos consumidos excepcionalmente em dias de festa e que o leite nem sequer fazia parte da sua dieta.
Uma vez que eram considerados “alimentos dos ricos”, assim que a melhoria nas condições de vida nos países desenvolvidos facilitou a acesso de mais pessoas a estes produtos, o seu consumo tornou-se generalizado e exagerado. Mas estes alimentos deveriam ter continuado a ser consumidos excepcionalmente, pois o seu consumo regular não é necessário à saúde e pelo contrário é causador de inúmeras doenças.
Perante o cenário actual de uma população obesa e doente, assistimos agora a um esforço das autoridades médicas, de educação da população para que readquira hábitos mais saudáveis de alimentação, com redução dos produtos de origem animal e com predomínio de produtos de origem vegetal.
Muitas pessoas seguem esse conselho até ao fim, tornando-se vegetarianos e deixando pura e simplesmente de comer animais ou produtos derivados de animais.
Apesar da dieta vegetariana ser cada vez mais tema de capa de revista, a maior parte das pessoas ainda encara o vegetarianismo com desconfiança. Consideram esta dieta anti-natural e receiam que ao retirarem a carne do seu menu ficarão sub-nutridos.
Os milhões de vegetarianos que vivem e viveram ao longo da história da humanidade são a prova viva de que é possível viver só de plantas. Mas se dúvidas existiam sobre se essa vida seria saudável, inúmeros estudos científicos recentes demonstraram que não só os vegetarianos não são mais doentes, como em média são mais saudáveis e vivem mais tempo do que aqueles que comem produtos animais.
A American Dietetic Association, publicou um artigo de revisão de todos os conhecimentos actuais sobre dieta vegetariana e concluiu que “dietas vegetarianas bem planeadas são saudáveis e nutricionalmente adequadas, sendo bastante benéficas na prevenção e tratamento de diversas doenças”.
Mas como pode isso ser? Afinal de contas somos omnívoros!
É verdade, somos omnívoros. Mas o que significa isso exactamente?
Os nossos antepassados começaram por ser frugívoros (comiam apenas frutos), depois evoluíram para omnívoros, alargando a sua dieta a insectos e pequenos mamíferos e mais tarde tornaram-se pescadores e caçadores, passando a incluir no seu menu a carne de diversos animais. No entanto, durante a maior parte desse percurso evolutivo, os nossos antepassados basearam a sua dieta em plantas, sendo os produtos de origem animal um complemento da sua alimentação de onde retiravam calorias e proteínas extra.
Há quem atribua o desenvolvimento da nossa inteligência à ingestão de carne, mas foi o aumento progressivo dos cérebros dos nossos antepassados que criou a necessidade de ingestão de mais proteínas e gorduras, que a carne forneceu em abundância.
Milhões de anos depois, o ser humano inventou a agricultura e passou a produzir inúmeras variedades de cereais, leguminosas, oleaginosas, hortícolas e frutos, capazes de suprir as suas necessidades nutricionais e energéticas, de tal forma que hoje em dia, na maior parte do planeta, o ser humano já não precisa de comer carne para viver e ser saudável.
Ao contrário do que comummente se pensa, ser omnívoro não implica que se tenha de comer de tudo para se sobreviver, mas sim que se pode sobreviver com um leque variado de opções alimentares. Um omnívoro consegue viver só de carne ou só de plantas, se apenas tiver disponível uma dessas opções para se alimentar. O facto de termos inventado a agricultura, dá uma nova dimensão ao facto de sermos omnívoros, pois oferece-nos a liberdade de escolha dos alimentos.
E porque é que devemos escolher comer plantas em vez de animais?
Se no passado todos os produtos de origem animal eram produzidos de modo tradicional e extensivo, com aproveitamento de solos e paisagens não-aptas para a agricultura, hoje em dia a grande maioria desses produtos são produzidos industrialmente, com enorme desperdício de recursos naturais e com graves consequências ambientais e sociais.
Além das questões dos direitos e do bem-estar dos animais, que cada vez mais devem ser debatidas e consideradas na forma como produzimos os nossos alimentos, as questões relativas ao impacto ambiental da produção animal devem levar-nos a questionar os nossos hábitos, principalmente se nos consideramos ecologistas e pretendemos reduzir a nossa pegada ecológica no planeta.
“É ecologista? Então porque ainda come carne?” É a questão provocadora que tem gerado acesos debates entre aqueles que se consideram ecologistas.
Há aqueles que, perante os dados que apontam a produção animal como um dos maiores problemas ecológicos dos nossos dias, se tornaram vegetarianos para reduzirem o seu impacto ambiental no planeta e há aqueles que, achando que a ingestão de produtos animais faz parte da nossa ecologia, não pretendem mudar os seus hábitos alimentares, embora concordem que a produção industrial destes produtos é anti-ecológica.
Eis alguns dados perturbantes:
– Nos Estados Unidos, mais de metade de toda a água consumida é gasta na produção animal e outra estimativa aponta para que perto de 85% da água consumida no planeta seja gasta na produção animal. Para se produzir 1kg de batatas são necessários cerca de 50 litros de água e para se produzir 1 kg de trigo são necessários cerca de 42 litros, no entanto para se produzir 1kg de carne de vaca são necessários 43.000 litros de água!
– Os dejectos dos animais, que antes eram naturalmente integrados novamente nos solos, fertilizando-os, são agora produzidos em tamanha quantidade, que se tornaram um dos maiores problemas de poluição no mundo, contaminando de forma severa os solos e as águas.
– A criação de gado e a produção agrícola intensiva para alimentação desse gado, estão entre as principais causas de desertificação e de desflorestação do planeta.
Dois terços dos terrenos agrícolas são dedicados a pastagens e culturas para alimentar o gado. Estima-se que por cada quilo de carne que é produzido se percam 77 quilos de solo fértil e que 85% da erosão dos solos no mundo está associada a culturas destinadas à alimentação do gado e à produção de pastagens.
– Na actualidade, existe suficiente solo fértil, energia e água para alimentar mais do dobro da população humana existente. No entanto, entre as questões políticas e económicas que impedem milhões de pessoas de aceder aos alimentos produzidos, está também o facto de que metade dos cereais produzidos no mundo destina-se a alimentar animais para consumo em países desenvolvidos, em vez de servir de alimento aos seres humanos que passam fome em países sub-desenvolvidos.
– São necessários cerca de 7 kg de cereais e soja, para produzir 1 kg de carne nos Estados Unidos. Bastaria que os norte-americanos reduzissem o seu consumo de carne em 10%, para que mais 100.000.000 pessoas pudessem ser alimentadas com os cereais assim poupados. Foi demonstrado que se toda a população mundial fosse vegetariana, tudo aquilo que se dispende na produção animal poderia alimentar 10 biliões de pessoas, ou seja, mais do que a população humana que se prevê existir em 2050.
Devido à grande diversidade de ambientes que o ser humano ocupa, nem sempre este dispõe de terrenos férteis para agricultura ou de diversidade alimentar suficiente para poder alimentar-se exclusivamente de plantas e é preciso tomar isso em consideração, se se não quiser cair em fundamentalismos. Os animais herbívoros são capazes de transformar ervas, sem valor alimentar para o ser humano, em proteína e gordura de alto valor nutritivo e calórico e a sua importância na alimentação das pessoas que habitam regiões menos férteis e inaptas para a agricultura, não deve ser ignorada. No entanto, a produção industrial de animais para consumo, que nada tem que ver com o aproveitamento de recursos e muito pelo contrário é um desperdício de recursos, não deve de forma alguma ser colocada ao mesmo nível da produção extensiva e ao ar livre de produtos de origem animal.
Poucas pessoas se podem gabar de apenas consumirem produtos animais de origem biológica e extensiva. A maioria das pessoas, principalmente as que vivem em ambiente urbano nos países mais desenvolvidos, mesmo que ocasionalmente optem por comprar estes produtos, não deixam de consumir maioritariamente os de origem industrial, apoiando assim activamente este sistema de produção animal, com todas as consequências que ele acarreta para os animais, para o ambiente e para a humanidade. Estas pessoas, que são milhões em todo o planeta, deveriam interrogar-se mais sobre as opções que tomam na hora de encher o prato e pensar em como o gesto simples de trocar o bife por feijão ou lentilhas pode ajudar a salvar o mundo.

Bibliografia:
“So You’re an Environmentalist; Why Are You Still Eating Meat?”, Jim Motavalli, E Magazine, January 3, 2002 (www.alternet.org/story/12162)
“Meat-eating environmentalist? How can that be?”, Lisa Rogers, Toronto Vegetarian Association (www.veg.ca/lifelines/marapr/meat)
“Why environmentalists aren’t vegetarian”, David Pye, VSUK Trustee, 35th World Vegetarian Congress (www.ivu.org/congress/2002/texts/david2.hmtl)
“A paleontological perspective on the evolution of human diet”, Peter Ungar and Mark Teaford (www.cast.uark.edu/local/icaes/conferences/wburg/posters/pungar/satalk)
“Fruits of the Past”, Colin Spencer (www.viva.org.uk/guides/fruitsofthepast)
“Our Food Our World – The Realities of an Animal-Based Diet”, EarthSave Foundation, Santa Cruz, 1992
“Diet for a Small Planet”, Frances Moore, Lappe Ballantine Books, 20th Annv Edition, 1985
“The Food Revolution: How Your Diet Can Help Save Your Life and Our World”, John Robbins, Conari Press, 2001
“Diet for a New America: How Your Food Choices Affect Your Health, Happiness and the Future of Life on Earth”, John Robbins, H.J. Kramer, Reprint edition, 1998

Comer carne é cultural

Sujeitar os animais a situações incrivelmente horrorosas usando como justificativas fatores “biológicos”, “evolutivos”, e “nutricionais” é tão válido cientificamente quanto os argumentos que justificaram por séculos (e ainda persistem em alguns lugares) a escravidão dos negros, a perseguição aos judeus, a descriminação das mulheres, a proibição religiosa da doação de órgãos, medula, transfusão de sangue, métodos contraceptivos, etc…

Comer carne é cultural. Dá ao ser humano, que antes era limitado ao branco, europeu, rico (tudo no masculino), a sensação de controlar as outras espécies que compartilham a vida neste planeta. A mesma sensação que sustenta os fanatismos religiosos, a opressão de regimes absolutistas e surtos de histeria coletiva que acabam em manchetes sangrentas e escandalosas no nosso dia-a-dia de banalização moral.

O corpo humano foi desenvolvido para alimentar-se de praticamente tudo que existe no planeta. Isso é adaptação. Significa que se um ser humano precisar matar e alimentar-se de outro para sobreviver, será possível. Possível, não necessário. Em certas culturas isso é cotidiano. Tem sentido próprio e reconhece que a fisiologia humana é muito mais adaptada a dietas vegetarianas (faça a comparação entre as mandíbulas, intestinos, PH estomacal, mãos, faro, glândulas digestoras e hábitos sociais de um leão e de um cavalo).

Comer carne não se limita a comer carne. Seria como concordar com as profecias bíblicas que condenam 90% dos costumes ocidentais e sair por aí matando em nome de Deus, dizendo que não se trata de assassinato, mas de “fé”.

Aliás, deixar de comer carne também é cultural. Em grande parte dos lugares onde não existe o hábito de alimentar-se de animais mortos (ou vivos), existe um surpreendente teor de consciência ecológica e respeito à vida. Em outros lugares, como é o caso do Brasil (o maior exportador de carne de todo o mundo), vai ser difícil alcançar esse nível, mas ele não é necessário, porque a outra parte de não comer carne trata-se mais de inteligência do que de cultura.

Enquanto ficamos por aí debatendo sobre a reforma agrária, as invasões do MST, o latifundiarismo, a miséria, a fome, a subnutrição, a devastação das florestas, as queimadas, a concentração de renda, a capitalização internacional de riquezas e o descaso com o meio ambiente, esquecemos de que o consumo de carne está por trás disso

A população bovina no Brasil (cerca de 200mi) é maior que a população humana (cerca de 190mi), isso sem contar as aves, suínos e caprinos “cultivados” para corte. Os cereais usados para alimentar este rebanho colossal seria mais do que suficiente para alimentar a população humana da América Latina. Os pastos usados tanto na criação de gado de corte quanto no cultivo agrícola para alimentá-los seriam mais do que o necessário para garantir que todo brasileiro tivesse um pedaço considerável de terra para morar – ou continuariam a exercer seu vital papel no equilíbrio ambiental do planeta como florestas tropicais.

Da água doce que se encontra disponível para uso do ser humano no planeta (menos de 0,03% da água superficial da Terra), 80% é usada para fins agrícolas. Escovar os dentes com a torneira aberta não é nada, nada mesmo, comparado a comer carne.

Comer carne é cultural. E reflete a cultura de um povo que pensa a curto prazo, usando indiscriminadamente recursos naturais, condenando o futuro e falsificando consciência sustentável, revelando-se completamente egoísta, alheio às necessidades das pessoas ao redor.

A violência é cultural. Animais que se alimentam de carne são violentos, territorialistas, hostis ao convívio próximo de outras espécies. Ou dominam ou são dominados. A sobrevivência dos animais carnívoros depende disso. A sobrevivência do ser humano não!

Como esperar que um povo compreenda o absurdo de condenar milhões de vidas inocentes à dor e sofrimento? É cultural. Soa cármico. Em algum lugar deve estar escrito, sob assinatura de forças divinas, que quem não tem dinheiro (e isso inclui animais humanos e não-humanos) nasceu fadado e condenado à gula mercenária desse estranho animal que mata e deixa morrer por prazer.

Luis Felipe Valle
Abril de 2010

Carnismo: um sistema ideológico
Um dos conceitos chaves do movimento de direitos animais é o especismo, ou seja, o mito criado pelos humanos que os faz crer que sua espécie é superior a todas as outras. O termo foi criado pelo filósofo britânico Tom Regan e é amplamente difundido hoje.
Agora a escritora e psicóloga americana Dra. Melanie Joy (foto) propõe um novo termo, que ela chamou de carnismo, como mais um instrumento de análise e desconstrução do sistema ideológico que cria a ilusão de que o hábito de comer carne é o estado natural da dieta humana.
Em seu livro Why We Love Dogs, Eat Pigs, and Wear Cows: An Introduction to Carnism (Porque Nós Amamos Cães, Comemos Porcos e Vestimos Vacas: Uma Introdução ao Carnismo), a doutora Melanie argumenta que o consumo de produtos animais é uma sistema de crença invisível continuamente reforçado por muitas sociedades ocidentais e por isso “carnismo” – a prática quase inconsciente de comer carne – não é parte do vocabulário como o vegetarianismo é. A escolha de comer carne não é rotulada em nossa sociedade, portanto ela passa sem questionamento. Em seu livro, Melanie tenta explicar não porque nós não deveríamos comer carne, mas sim porque nós o fazemos.
“O carnismo nos ensina a não sentir quando se trata de comer os animais que consumimos”, ela diz em seu livro. “Nosso modo natural de responder aos outros animais parece ser baseado em empatia. Sociedades que comem carne em todo o mundo escolhem algumas espécies e consideram repelente a idéia de comer outras. Isso porque o carnismo bloqueia nossa consciência e empatia quando se trata de espécies que consideramos comestíveis.”
Em uma recente entrevista ao blog SuperVegan, a doutora Melanie disse que “carnismo é uma sub-ideologia do especismo, assim como anti-semitismo, por exemplo, é uma subideologia do racismo. É importante nomear e entender ideologias específicas porque embora todas provenham de uma ideologia mais ampla, elas têm algumas características distintas que devem ser entendidas e abordadas diretamente.”
A autora diz que escreveu seu livro para os carnistas “porque ela queria ter um livro que falasse com comedores de carne e não fosse apenas sobre a realidade da produção de carne, sobre o qual já existem muitos títulos”. Ela acrescenta que quis convidar os comedores de carne para o debate e explicar para eles porque eles comem carne.
Ela se defende dos críticos que dizem que o termo especista já engloba o que ela chama de carnismo e que a criação de um novo termo seria uma distração desnecessária. “Considere, por exemplo, como o patriarquismo influencia o heterossexismo mas que no entanto o heterossexismo tem características específicas que fazem dele uma expressão única do patriarquismo. Como o consumo de carne causa mais sofrimento animal do que todas as outras formas de exploração animal juntas, faz sentido focar no carnismo como uma ideologia separada do, porém conectada ao, especismo.”
A doutora Melanie acrescenta que uma diferença fundamental entre especismo e carnismo é que o carnismo é uma expressão altamente pessoal do especismo. “Incorporar animais não humanos no nosso corpo é, em geral, o contato mais freqüente e íntimo que os humanos têm com outras espécies. Comer animais, portanto, determina como pensamos sobre, e nos relacionamos com, outros seres. Como podemos imaginar qualquer tipo de igualdade entre as espécies se continuarmos a comer animais simplesmente porque gostamos do seu sabor?”
Os argumentos da doutora Melanie formam um sistema convincente para os pensadores do veganismo e ativistas em geral. É importante ver que todas as formas de exploração são facilitadas pelos mesmos mecanismos e um reforça o outro. A mentalidade que coloca o sistema reprodutivo feminino nas mãos do legislativo e que moldou uma “cultura de estupro” onde misóginos como Eminem são celebrados não é tão diferente da mentalidade que legitimiza o confinamento de milhões de suínas onde elas são engravidadas a força ao longo de suas vidas simplesmente para que seus filhos se tornem, por exemplo, a cobertura de uma pizza de pepperoni.

Referências:

Website da doutora Melanie Joy: http://www.melaniejoy.org
Bitch Magazine: http://bitchmagazine.org/post/the-biotic-woman-a-conversation-about-carnism-with-melanie-joy-pt-1
SuperVegan: http://supervegan.com/blog/entry.php?id=1464
Grupo no Facebook: http://www.facebook.com/group.php?gid=174553683955&ref=share&v=info

Video promocional do livro:

“Vegetarianos e Veganos”



Pense nas suas aulas de geometria. Lembra-se do filósofo grego Pitágoras? Seu teorema sobre o triângulo recto? “A soma do quadrado dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa”. Nascido por volta de 580 aC, perpetuou-se não só por seu gênio matemático como também por ser considerado “pai do vegetarianismo”. Por quase 2.500 anos, europeus e americanos chamavam pitagóricos àqueles que seguiam o vegetarianismo, pois o termo não era usado até a fundação da Sociedade Vegetariana Britânica, em 1847.

O argumento de Pitágoras em favor da dieta sem carne tinha três “pontas” (como um triângulo):
– veneração religiosa,
– saúde física e
– responsabilidade ecológica.
Essas razões continuam a ser citadas até hoje. Enquanto sempre houve vegetarianos na população mundial, muitos escolheram esse caminho mais por necessidade do que por preferência. O mundo medieval considerava vegetais e cereais como comida para animais. A carne era símbolo de status de classe alta: quanto mais alguém comia carne, mais elevada era a sua posição na sociedade – de forma que somente a pobreza compelia as pessoas à substituição de carnes por vegetais.


Vegetarianismo é com frequência ligado a religião, e a força dessa relação parece se vincular diretamente à longevidade de cada credo religioso. O relativamente jovem Islamismo (1.300 anos), por exemplo, não tem cultura vegetariana forte.
Os budistas, por outro lado, seguindo os princípios de não-violência, têm praticado vegetarianismo por 2.500 anos. O Hinduísmo possui princípios vegetarianos que datam de 5.000 anos. Judeus citam uma passagem bíblica como prescrição da dieta original:

“E Deus disse, Eu vos dei cada semente de erva, que estão por toda a terra, cada árvore, nas quais estão os frutos de semente; para vocês elas servirão de comer” (Gênesis 1:29).

Evitar o consumo de carne e jamais comer porco ou mariscos era uma provação (símbolo de pesar e tristeza), voltada também para a restrição dos desejos e prazeres do corpo. O Cristianismo primitivo, com suas raízes na tradição judaica, viram o vegetarianismo de maneira similar – um jejum modificado para purificar o corpo: evitar a carne é uma forma de reforçar a disciplina e a força de vontade necessárias para resistir às tentações.
Isso tornou as restrições dietéticas muito comuns no comportamento cristão da época. E essa crença foi passada adiante, ao longo dos anos, de uma forma ou de outra – por exemplo, a proibição de carne (exceto peixe) da Igreja Católica Romana nas sextas durante a Quaresma.

Na América do Norte o vegetarianismo foi quase um acidente decorrido da preocupação com a Guerra Civil. Em 1863, a crescente Igreja Adventista do Sétimo Dia passou a defender as idéias vegetarianas, abriu um instituto de saúde, mas cedo descobriu que sua sobrevivência dependia de uma equipe médica treinada. Com o apoio da igreja, o jovem John Harvey Kellogg, um convertido ao adventismo, se matriculou e completou o curso de medicina. Em 1876, Kellogg se tornou diretor desse instituto, chamando-o de Battle Creek Sanitarium, e sob sua direção se tornou uma clinica de fama mundial e um centro de fabricação de cereais para café da manhã (Kellog´s). Nutricionistas dos anos vinte e trinta do século 20 não tinham muita disposição tanto para condenar quanto para promover o vegetarianismo, sentindo que faltavam necessárias evidências para justificar ambas as posições. Vegetarianos eram mais lamentados do que valorizados, e tanto a comunidade médica como o público geral expressavam preocupação com as conseqüências da dieta. A explosão das pesquisas científicas depois da Segunda Guerra Mundial atenuaram bastante o estigma da dieta sem carne.
Compilação do artigo “Vibrant Life”(1992), de Glen Blix, Dr. Phd,
professor da Universidade de Loma Linda, Califórnia.





AFINAL, O QUE SÃO VEGANS?


O termo vegan (ou vegano) surgiu para diferenciar os vegetarianos que, além de não comerem carne, excluem de sua dieta qualquer outro produto de origem animal: leite e seus derivados, ovos, gelatina, mel. Os vegans também são contra o uso e a exploração de animais para outros fins, que incluem vestuário (artigos de couro, casacos de pele), entretenimento (circos e rodeios, por exemplo) e experimentação (testes em laboratórios ou utilização de substâncias de origem animal em cosméticos e medicamentos). Ou seja: vegan é o vegetariano levado às últimas conseqUências(?).


Muita gente pergunta:

Se os vegans não comem carne, ovos ou leite, então eles comem o quê?”.
Muito mais do que se possa imaginar!
A variedade de alimentos é enorme, principalmente no Brasil, um dos maiores produtores de soja do mundo e um país com uma enorme variedade de grãos, verduras, legumes e frutas.


Dá para substituir todos os nutrientes encontrados nos produtos de origem animal se você seguir uma dieta vegan ou vegetariana equilibrada. A maioria dos grandes supermercados vende leite e ‘carne’ de soja, além de alguns produtos mais elaborados, como leite de arroz, nuggets, hambúrguer, almôndegas, kibe, salsicha, carne de glúten, maionese… tudo sem carne, leite ou ovos.
Tendo um pouquinho de paciência para ler os rótulos, você vai descobrir que o que não falta é bolacha, chocolate, cereal, panetone, doce, geléia e outros produtos que não utilizam substância alguma de origem animal. E saiba que pão francês também é vegan. Também dá para encontrar muita coisa em empórios de produtos orgânicos e naturais. Restaurantes de comidas típicas (árabes, indianos, chineses, mexicanos, japoneses, tailandeses, italianos) oferecem vários pratos que se encaixam perfeitamente no cardápio vegan ou vegetariano.


Para que não haja nenhum tipo de deficiência nutricional, uma dieta vegetariana/vegan (como qualquer outra dieta) deve conter uma grande diversidade de alimentos vegetais, ressaltando alimentos crus ou preparados de forma que não percam os seus nutrientes (no vapor, por exemplo) e alimentos integrais e não industrializados. Para aqueles vegetarianos que consomem ovo e/ou leite e seus derivados (ovolacto-, ovo- e lactovegetarianos), nenhuma suplementação nutricional é recomendada. Mas para vegans, deficiências de vitamina B12, cálcio e vitamina D podem ocorrer.
Para estas pessoas uma complementação de vitamina B12 e cálcio é recomendada, seja através do uso de alimentos enriquecidos com estes nutrientes como pelo uso de suplementos nutricionais. E nos casos de baixa exposição solar está indicada a suplementação de vitamina D. Em relação ao ferro, trabalhos recentes têm demonstrado que vegetarianos apresentam incidência de anemia por deficiência de ferro igual a onívoros. Assim, a suplementação de ferro deve restringir-se às situações de anemia comprovada ou quando existirem fatores de risco para carência de ferro como gravidez ou hemorragias.