Revista Veja distorce informações científicas sobre vegetarianismo

 

MATÉRIA REVISTA VEJA
Muita verdura, pouca vitamina
Pesquisas acadêmicas alertam sobre os riscos da dieta vegetariana para a saúde das criançasNatasha Madov

Uma mania ganhou impulso na última década, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa: tirar a carne do cardápio. Até mesmo entre os brasileiros há quem considere um bife suculento como politicamente incorreto. Estima-se que 10 milhões de americanos tenham aderido a alguma dieta vegetariana, com graus variados de exclusão de alimentos de origem animal. É uma atitude arriscada, de acordo com um estudo da Universidade de Minnesota, nos EUA. Depois de avaliar os hábitos alimentares de cerca de 5.000 adolescentes, vegetarianos ou não, os pesquisadores concluíram que, longe de ser uma decisão filosófica, tirar a carne do cardápio pode ser um sintoma de distúrbios alimentares graves. São doenças como a anorexia, falta de apetite crônica que pode levar à morte, e a bulimia, na qual o vômito é induzido como forma de conservar a magreza desejada. “Em geral, pacientes com distúrbios alimentares procuram dietas excêntricas, e o vegetarianismo é preferido porque, sem carne, são ingeridas menos calorias e a pessoa não se sente inchada”, diz a psiquiatra Angélica Claudino, coordenadora do Programa de Transtornos Alimentares da Universidade Federal de São Paulo.

A principal razão entre os jovens para aderir à dieta vegetariana é manter o peso ou emagrecer. Mas não é só isso. Um em cada quatro adolescentes americanos acha moderno não comer carne. “Muitos adolescentes se tornam vegetarianos por influência de seus ídolos”, comenta Marly Winckler, secretária-geral para a América Latina da União Vegetariana Internacional, associação espalhada por 35 países. A complicação para quem está em idade de crescimento é que esse tipo de regime é carente de ferro, cálcio e proteínas, presentes em carnes, leite e ovos. Motivada pelo budismo, a paulistana Cristine Viecile Leone, de 18 anos, deixou de comer carne branca e vermelha aos 14. “Meu pai me mandou procurar uma nutricionista, mas não voltei a comer carne”, diz. O resultado foram duas crises de anemia em quatro anos. Hoje, Cristine mantém uma dieta mais equilibrada, com ajuda de uma nutricionista.

Há outras más notícias envolvendo dietas sem carne. Pesquisadores da Universidade Agrícola de Wageningen, na Holanda, acompanharam um grupo de crianças e adolescentes que até os 6 anos foram alimentados de acordo com as regras dietéticas macrobióticas, à base de cereais integrais. Constataram que a falta de vitamina B-12, presente apenas em produtos de origem animal, tinha causado danos irreparáveis no desenvolvimento cerebral delas. Comparados com crianças com alimentação variada, os macrobióticos tiveram pior desempenho em habilidade espacial, memória, capacidade de pensamento abstrato e aprendizado. O interessante é que os pesquisadores não encontraram nenhuma vantagem na dieta sem carne que pudesse contrabalançar os prejuízos.

O que dizem os cientistas

a.. Deficientes em ferro, cálcio e proteínas, as dietas vegetariana e macrobiótica causam anemia, sobretudo se excluírem ovos e laticínios

b.. Devido à escassez de vitamina B-12, a alimentação sem carne causa em crianças de até 6 anos prejuízos irreparáveis na capacidade de raciocínio

c.. Crianças criadas à base de macrobiótica crescem menos que as que têm um cardápio variado

d.. Uma conversão súbita ao vegetarianismo na adolescência pode indicar a tendência para a anorexia e a bulimia

RESPOSTA

Resposta de Marly Winckler à matéria da revista Veja, de 14 de agosto de 2002, intitulada “Muita verdura, pouca vitamina”.

Senhor Diretor de Redação, VEJA

Caixa Postal 11070 – Cep 05422-970

São Paulo, SP

Marly Winckler: Primeiramente, gostaria de reproduzir a posição oficial da Associação Dietética Americana (ADA) quanto a dietas vegetarianas:

ADA: “A posição da Associação Dietética Americana (ADA) é que dietas vegetarianas apropriadamente planejadas são saudáveis, adequadas em termos nutricionais e apresentam benefícios para a saúde na prevenção e no tratamento de determinadas doenças”. Posição completa Vegetarianismo.com.br

Marly Winckler: A seguir teço algumas considerações sobre as afirmações da jornalista Natasha Madov:

Veja: É uma atitude arriscada [adotar a dieta vegetariana], de acordo com um estudo da Universidade de Minnesota, nos EUA. Depois de avaliar os hábitos alimentares de cerca de 5.000 adolescentes, vegetarianos ou não, os pesquisadores concluíram que, longe de ser uma decisão filosófica, tirar a carne do cardápio pode ser um sintoma de distúrbios alimentares graves. São doenças como a anorexia, falta de apetite crônica que pode levar à morte, e a bulimia, na qual o vômito é induzido como forma de conservar a magreza desejada.

Marly Winckler: O que a Dra. Cheryl Perry, principal autora do estudo referido na matéria, realmente diz sobre vegetarianos adolescentes é:

“Este estudo [da Universidade de Minnesota, nos EUA] mostra que eles [os adolescentes vegetarianos] estão formando padrões ainda melhores que os de seus colegas”. “Como os padrões alimentares são aprendidos na infância e adolescência, isto pode ter implicações importantes na saúde a longo prazo em termos de prevenção de doenças crônicas como as cardiopatias e alguns cânceres”, afirma a Dra. Cheryl L. Perry. “Contudo, o estudo também descobriu que muitos vegetarianos, em sua maioria do sexo feminino, usam a dieta para controlar a ingestão de alimentos. Embora dietas vegetarianas não causem transtornos alimentares, os pesquisadores sugerem aos médicos que interroguem vegetarianos adolescentes sobre seus hábitos alimentares e suas motivações para seguirem uma dieta sem carne”.

Texto completo em:  http://www.drbobmartin.com/2002k_05_13news01.html http://www.ncbi.nlm.nih.gov:80/entrez/query.fcgi?cmd=Retrieve&db=PubMed&list_uids=11980547&dopt=Abstract

Veja: “Em geral, pacientes com distúrbios alimentares procuram dietas excêntricas, e o vegetarianismo é preferido porque, sem carne, são ingeridas menos calorias e a pessoa não se sente inchada”, diz a psiquiatra Angélica Claudino, coordenadora do Programa de Transtornos Alimentares da Universidade Federal de São Paulo. (…) “Muitos adolescentes se tornam vegetarianos por influência de seus ídolos”, comenta Marly Winckler, secretária-geral para a América Latina da União Vegetariana Internacional, associação espalhada por 35 países.

Marly Winckler: Primeiro, falei num contexto completamente diferente do referido no início do trecho acima e, segundo, ao ser perguntada por que os adolescentes aderem ao vegetarianismo respondi: “Há várias razões que levam o adolescente a aderir ao vegetarianismo. A música está sendo uma vertente importante. Os adolescentes ouvem bandas que falam dos maus-tratos aos animais, tanto na forma como são criados quanto na forma como são abatidos e viram vegetarianos”. Ou seja, a música é a fonte da informação, mas o motivo que os faz virar vegetarianos é tomarem consciência da crueldade contra os animais indissoluvelmente vinculada ao consumo de carne e derivados. Deixei isso bem claro à jornalista.

Veja: A complicação para quem está em idade de crescimento é que esse tipo de regime é carente de ferro, cálcio e proteínas, presentes em carnes, leite e ovos.

Posição da ADA:

Sobre ferro:

“Alimentos vegetais contêm apenas ferro não-heme, que é mais sensível que o ferro heme tanto aos inibidores quanto aos estimuladores da absorção do ferro. Embora as dietas vegetarianas sejam mais ricas que as não vegetarianas no conteúdo total de ferro, as reservas de ferro são mais baixas em vegetarianos porque o ferro de alimentos vegetais não é tão bem absorvido. A importância clínica disto, se é que existe, não é clara, pois a taxa de anemia por deficiência de ferro é semelhante em vegetarianos e não vegetarianos. O conteúdo mais elevado de vitamina C das dietas vegetarianas pode melhorar a absorção do ferro”.

Sobre cálcio:

“Ovo-lacto-vegetarianos têm ingestão de cálcio comparável ou superior a dos não vegetarianos. Contudo, a ingestão de cálcio por vegans é geralmente mais baixa que a de ovo-lacto-vegetarianos e de onívoros. Deve-se observar que os vegans podem ter necessidade de cálcio menor que não vegetarianos, pois já se demonstrou que dietas pobres em proteína total e mais alcalinas têm como efeito a economia de cálcio. Além disso, quando a dieta de uma pessoa é pobre tanto em proteína quanto sódio e há a prática de atividade física que envolva levantamento de peso, sua necessidade de cálcio pode ser menor que a de uma pessoa sedentária que se alimente com uma dieta ocidental padrão. Esses fatores e a influência genética podem ajudar a explicar variações da saúde óssea que são independentes da ingestão de cálcio”.

Sobre fontes protéicas:

“Sozinhas, fontes vegetais de proteína podem fornecer quantidades adequadas de aminoácidos essenciais caso vários alimentos vegetais sejam consumidos e a necessidade energética seja atendida. As pesquisas sugerem que proteínas complementares não precisam ser consumidas ao mesmo tempo e que o consumo de várias fontes de aminoácidos no decorrer do dia pode garantir a retenção e o uso adequados de nitrogênio em pessoas saudáveis Embora as dietas vegetarianas sejam mais pobres em proteína total e a necessidade protéica de um vegetariano possa ser um tanto elevada pela baixa qualidade de algumas proteínas vegetais, a ingestão de proteínas tanto em ovo-lacto-vegetarianos quanto em vegans parece ser adequada”.

Veja: Motivada pelo budismo, a paulistana Cristine Viecile Leone, de 18 anos, deixou de comer carne branca e vermelha aos 14. “Meu pai me mandou procurar uma nutricionista, mas não voltei a comer carne”, diz. O resultado foram duas crises de anemia em quatro anos. Hoje, Cristine mantém uma dieta mais equilibrada, com ajuda de uma nutricionista.

Marly Winckler: Onívoros também são acometidos de crises anêmicas.

Veja: Há outras más notícias envolvendo dietas sem carne. Pesquisadores da Universidade Agrícola de Wageningen, na Holanda, acompanharam um grupo de crianças e adolescentes que até os 6 anos foram alimentados de acordo com as regras dietéticas macrobióticas, à base de cereais integrais. Constataram que a falta de vitamina B-12, presente apenas em produtos de origem animal, tinha causado danos irreparáveis no desenvolvimento cerebral delas.

Sobre vitamina B12 (posição da ADA):

“Embora alimentos vegetais possam conter vitamina B12 em sua superfície devido a resíduos do solo, esta não é uma fonte confiável de B12 para vegetarianos. Já se demonstrou que boa parte da vitamina B12 presente na espirulina, nas algas, no tempê e no missô é um análogo inativo de B12 e não a vitamina ativa. Embora laticínios e ovos contenham vitamina B12, as pesquisas indicam que ovo-lacto-vegetarianos têm níveis sangüíneos reduzidos desta vitamina. Aconselha-se a suplementação ou o uso de alimentos enriquecidos para vegetarianos que evitam ou limitam os alimentos de origem animal.

Como a necessidade de vitamina B12 é pequena e ela é tanto armazenada quanto reciclada no corpo, os sintomas da deficiência podem demorar anos para aparecer. A absorção de vitamina B12 torna-se menos eficiente conforme o corpo envelhece e, assim, os suplementos podem ser aconselhados para todos os vegetarianos mais velhos”.

Veja: Comparados com crianças com alimentação variada, os macrobióticos tiveram pior desempenho em habilidade espacial, memória, capacidade de pensamento abstrato e aprendizado.

Marly Winckler: O que estes estudos, realizados entre 1988 e 1992, mostram é que as crianças tinham uma dieta restritiva não apenas quanto a alimentos de origem animal, mas também quanto a gordura, proteínas e calorias. O problema, de fato, foi gerado por uma dieta mal planejada e não por ter sido macrobiótica.

Veja: O interessante é que os pesquisadores não encontraram nenhuma vantagem na dieta sem carne que pudesse contrabalançar os prejuízos.

Marly Winckler: Se os pesquisadores não encontraram, e nem a senhora jornalista percebeu, eu vou lhe dizer quais são os benefícios de uma dieta vegetariana. São imensos e eu precisaria de um livro para descrevê-los, mas basta dizer que uma dieta vegetariana desde logo nos desassocia da crueldade com que são criados e abatidos milhares e milhares de seres indefesos que sentem dor e terror. Uma dieta vegetariana é mais saudável. O vegetariano tem risco reduzido de doenças crônicas e degenerativas, como cardiopatias, câncer, diabetes, obesidade, osteoporose, doenças da vesícula biliar e hipertensão. O meio ambiente também se beneficia com a adoção da dieta vegetariana. A criação de gado significa um uso muito ineficiente dos recursos, além de ser a principal responsável pela derrubada das florestas. São necessários 7 quilos de cereais e grãos para produzir um quilo de carne. Metade de toda a terra boa do mundo é destinada a pastagens. A indústria da carne é responsável por mais de metade da água consumida para todos os fins. Metade da colheita mundial de grãos foi consumida pelo gado nos anos oitenta. Num mundo onde a fome é uma realidade, o comer carne torna-se eticamente inaceitável.

Finalmente, a tendenciosidade não é algo de que um veículo de comunicação possa se orgulhar, mas ela se torna insidiosa quando usada contra aqueles que não têm como se defender, os animais, e aqueles que têm todo o direito de receber informações precisas, os adolescentes e seus pais, que legitimamente se preocupam com uma possível deficiência alimentar dos filhos. A sra. Natasha Madov dispunha das informações que eu inseri acima, pois eu as enviei para ela. A revista Veja está na contramão da história. Em um momento em que todas as autoridades que tratam da questão alimentar se esforçam para fazer a população ingerir mais verduras, ela maldosamente intitula sua matéria dando a entender que verduras não contêm tanta vitamina assim. Os vegetarianos merecem respeito, os animais merecem respeito, os adolescentes merecem respeito e a sociedade merece respeito. Esta matéria, completamente tendenciosa e falsa, é uma afronta à inteligência humana. Exigimos reparação.

Marly Winckler

Socióloga, tradutora.

Coordenadora para a América Latina da União Vegetariana Internacional (IVU) Moderadora das listas de discussão sobre vegetarianismo veg-brasil e veg-latina:  http://br.groups.yahoo.com/group/veg-brasil http://ar.groups.yahoo.com/group/veg-latina

E-mail:  latinam@ivu.org

URL:  http://www.vegetarianismo.com.br

IVU:  http://www.ivu.org

AOS ADOLESCENTES

Todos nós queremos o melhor. O vegetarianismo, não há a menor dúvida, é a melhor opção alimentar, com amplas e profundas implicações. Levem com orgulho o selo do vegetarianismo estampado no peito. Não se intimidem com críticas, com provocações, com os obstáculos que certamente encontrarão pelo caminho.

O primeiro passo, o ovo-lacto-vegetarianismo, é o mais importante: é o grande passo que nos desassocia de atos sangrentos. Entre o ovo-lacto-vegetarianismo e o veganismo há um abismo continental que cada um deve procurar transpor sem culpa, respeitando o seu processo e o dos outros. Não esqueçam nunca que esta é uma tarefa hercúlea no mundo em que vivemos – exige muita força de vontade, muita determinação e muita coragem.

Tenham sempre isso presente nos momentos de fraqueza, de dificuldade. Saibam também que os louros da vitória são certos e recompensadores. Ninguém, salvo quem adota uma dieta vegetariana, pode avaliar a sensação maravilhosa de não participar mais dos horrendos atos de crueldade ligados ao abate e à criação em condições execráveis de milhares e milhares de seres indefesos. Como benefícios extras, mas não menos importantes, ao adotarmos essa dieta fortalecemos nossa vontade e contribuímos para um mundo mais pacífico, mais saudável, mais justo, mais abundante e mais feliz.

Não percam nunca o ardor e o entusiasmo, não se desiludam ao enfrentarem dificuldades – para todo problema há uma solução. Não aceitem nada com base na autoridade. Não aceitem teorias de segunda mão, procurem contrastar as premissas das teorias com sua própria experiência. Não aceitem fórmulas batidas que sabidamente não deram certo. Idéias regem o mundo. Estudem os sistemas dominantes no mundo. Olhem para os frutos desses sistemas. É isso o que queremos?

Não caiam também na armadilha do ceticismo. É o que há de pior, pois paralisa nosso elã, nossa energia vital. Precisamos de algo novo que contemple o vegetarianismo em suas propostas. Não esqueçam: quem procura acha. A quem bate, a porta se abre.

Procurem, tentem, batam!

Marly Winckler

latinam@ivu.org

OUTRA CARTA

Carta da jornalista Beatriz Medina à redação de Veja

Prezado editor,

Como colega jornalista fiquei realmente entristecida ao ler a matéria “Muita verdura, pouca vitamina”, assinada por Natasha Madov, publicada nesta revista. Quanta desinformação. Que coisa lamentável. A repórter, que suponho jovem, chama o vegetarianismo de “mania” que “ganhou impulso na última década”, como se fosse modismo recente ou passageiro — quando isso de “tirar a carne do cardápio” é tão antigo quanto a cultura humana. Ademais, contrariando incontáveis estudos e até a posição da própria American Dietetic Association, associação americana de nutricionistas, afirma que tornar-se vegetariano “é uma atitude arriscada”, pois “pode ser um sintoma de distúrbios alimentares graves”, como anorexia e bulimia. Ora, o fato de anoréxicos e bulímicos não comerem carne é circunstancial; nada tem a ver com o vegetarianismo propriamente dito. É como dizer que Elias Maluco é criminoso porque gosta de churrasco.

Minha cara Natasha, uma reles busca na Internet a levaria aos estudos que menciono acima. Afinal, creio que a colega saiba ler inglês. E os exemplos citados na reportagem não podiam ser mais tendenciosos. Afinal, alimentação incorreta existe no mundo todo, tanto no caso de quem não come carne quanto, principalmente, no caso de quem a come. Ou vocês agora vão querer me convencer que a dieta tradicional americana, com seus excessos de colesterol, proteína animal, açúcares e carboidratos refinados, flavorizantes, corantes e aromatizantes artificiais e quase nenhum legume, verdura ou fruta fresca é um primor de boa nutrição? O alto percentual de obesos, cardíacos e cancerosos naquele importante país não me deixa mentir.

Quanto ao estudo da Universidade Agrícola de Wageningen, por que a repórter não explicou como é que aquelas crianças e adolescentes eram alimentadas? Está na internet, basta procurar. Eles eram mal alimentados, sim, e não só por não comerem carne. Sua alimentação era absurdamente estrita, com níveis mínimos de proteínas, carboidratos, gorduras e alimentos crus. Nestas condições, mesmo que comessem alguma carne desenvolveriam as deficiências percebidas pelos pesquisadores. Só posso creditar à ignorância (para não dizer má-fé) a omissão das condições reais do estudo.

Não vou nem citar a distorção das palavras de Marly Winckler, pessoa internacionalmente respeitada no meio e que tenho a honra de conhecer. Só isso já configura um ato de má-fé passível de sanção.

É uma pena que a revista que, ao nascer nos anos de chumbo de nossa história brasileira, teve tamanha importância preste-se hoje a um papel desses — infelizmente, esta triste matéria não tem sido a única a exibir desinformação, tendenciosidade, falta de espírito jornalístico. Espero, para o bem da saúde do povo brasileiro, que a publicação se retrate.

Maria Beatriz de Medina

Rua Henrique Iacovo, 125 Miguel Pereira, RJ, Brasil (24) 2484-7456 Identidade 03594652-4 emitida pelo Instituto Félix Pacheco/RJ

Registro de jornalista profissional nº. 16188-73-159

8 responses to this post.

  1. Realmente, eu não gosto da veja, elas distorcem muitas informações fazendo com que as pessoas fiquem alienadas, sem poder de raciocinar e jugar o certo para a situação apresentada.

    Responder

  2. Posted by Stela on Setembro 15, 2014 at 18:59

    Muita cara de pau da Veja publicar uma coisa dessas. Eles tentam desanimar quem iniciou a dieta. Eu já estou há dez anos e não abro mão, fez-me muito bem. Não me arrependo nem um pouco. E ainda estou mais nova que as garotas da mesma idade e até menos, sem brincadeira. Quando decidi não era por questão de saúde, mas ao longo dos anos esse benefício se comprovou.

    Responder

  3. Posted by paula on Maio 17, 2013 at 01:33

    Não acredito que nos dias de hoje pessoas ainda acreditem nas bobagens escritas por essa revista VEJA. Sou Nutricionista, vegetariana com muito orgulho, e muito saudável, obrigada!!!!

    Responder

  4. Posted by Line on Novembro 25, 2012 at 23:21

    A matéria no site está falando da distorção da reportagem da revista e não incentivando as besteiras que foram faladas pela revista. Só leram e entenderam o que foi conveniente.

    Responder

  5. Posted by ralph holanda on Abril 24, 2012 at 01:31

    encontrei este artigo justamente porque estava pesquisando sobre a falta da vit. b12 na dieta vegana, acreditava que a dieta vegana fosse adequada para o ser humano, mas vejo que o ser humano é verdadeiramente onivoro, o fato de não conseguirmos o b12 so com a dieta vegana, assim como os animais herbivoros, é a prova de que somos onivoros. Enfim um leão não sente dó quando abate uma zebra acho que tambem não deve sentir do de vacas, essa é a condição natural do homem.

    Responder

    • Posted by Line on Novembro 25, 2012 at 23:23

      A matéria no site está falando da distorção da reportagem da revista veja e não incentivando as besteiras que foram faladas pela revista que já perdeu a credibilidade há muito tempo. Só leu e entendeu o que lhe foi conveniente.

      Responder

    • Posted by suzi on Junho 6, 2013 at 18:35

      Então porque você não pega uma vaca do pasto e enfia o dente e come tudo igual o leão que sim esse sim é a cadeia alimentar M.as eu entendo que é costume, a pessoa cresce comendo animal e depois fica difícil largar, falo por experiencia própria mas eu estou conseguindo aos poucos é difícil me sustentar sabendo que tirei a vida de um animal inocente. mas cada um cada um. somos livres pra escolher por si próprio né 😉

      Responder

  6. Posted by fani on Dezembro 5, 2010 at 22:20

    Adorei a reportagem> Acho que tem toda razão. Já li a respeito em artigos científicos.

    Responder

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