Perguntas Frequentes


Porque ser vegetariano?

Já que existe uma alternativa saudável e saborosa, prefiro evitar o sofrimento, exploração e morte de animais que sentem e sofrem, tal como os humanos, excluindo-os da minha alimentação

O que é o vegetarianismo?

O vegetarianismo é um regime alimentar que exclui da nossa alimentação os produtos animais. Existem várias razões pelas quais as pessoas podem optar por uma alimentação vegetariana, sejam elas razões de saúde, religiosas, espirituais, etc.

O que me preocupa é a fome/guerra/desemprego/trabalho infantil/abandono de animais domésticos/touradas. O vegetarianismo é pouco importante.

Estas questões são de facto muito importantes e cada pessoa deve fazer o máximo para que mudem. A grande diferença é que enquanto uma pessoa tem pouco ou nenhum poder para alterar a forma como certas coisas são feitas por outras pessoas, qualquer um de nós tem o poder de alterar o que está mais ao seu alcance – a sua alimentação. O vegetarianismo não impede nem se sobrepõe a outras causas justas que defenda.

Mas que diferença faz mais vegetariano menos vegetariano? Os mesmos animais vão continuar a ser criados e abatidos para consumo!

Nós, obviamente, acreditamos que faz toda a diferença. Desde logo porque acreditamos que todo o sofrimento que possa ser evitado, por insignificante que possa ser, vale a pena ser evitado. Em segundo lugar, é um facto que o mercado se regula pela lei da oferta e da procura; logo, se houver menos procura para a carne, a oferta irá eventualmente diminuir. Por fim, porque achamos que é nosso dever ético contribuir, através das acções e do exemplo, para a mudança que queremos ver na sociedade. Como disse Gandhi, “Sê a mudança que queres ver no mundo”.

Os animais não sofrem?

Os humanos, que também são animais, rejeitam ser explorados ou mortos porque preferem viver uma vida sem sofrimento. São dotados da capacidade de sofrer porque possuem um sistema nervoso central, que lhes permite compreender que uma situação, como ser explorado ou morto, é indesejada.
Os animais usados na alimentação possuem também esta característica e, tal como os humanos, são capazes de criar laços afectivos, sentir alegria, ansiedade e dor. Na verdade os animais sentem mais do que possamos pensar inicialmente.

Como é que podemos ter a certeza que os animais sofrem?

O sofrimento é um estado de consciência e por isso nunca pode ser observado. Podemos apenas senti-lo ou inferi-lo a partir de sinais exteriores. Quase todos os sinais exteriores de sofrimento, que nos levam a concluir que os outros humanos sofrem como nós, podem também ser observados noutras espécies, especialmente mamíferos e aves.
Estes sinais incluem contorção do corpo e da face, gemidos, uivos ou outras formas de chamamento, tentativas de evitar a fonte de dor, aparência de medo na possibilidade da sua repetição, entre outros. Para além disso, tal e qual como nos humanos, quando um animal sente dor existe um aumento inicial da pressão sanguínea, dilatação das pupilas, perspiração, aumento do ritmo cardíaco e, se o estímulo se mantiver, uma redução da pressão sanguínea.
Embora os humanos possuam um córtex cerebral mais desenvolvido do que os outros animais, esta zona é responsável por funções como o raciocínio e não por impulsos básicos, emoções ou sentimentos. A zona responsável por estas últimas funções, o diencéfalo, está bem desenvolvido em todos os mamíferos e aves.

Então também não come peixes / moluscos / caracóis? Eles não sofrem tanto.

Mesmo sendo animais que apresentam uma maior simplicidade, não significa que sofram menos e que possam ser explorados e mortos, unicamente para servir a fome dos humanos, quando estes possuem alternativas.
Inclusivamente, vários estudos científicos provam que estes animais são também capazes de sentir dor e desejo.

E as plantas… não sofrem?

Não, as plantas não sofrem nem possuem a capacidade de criar expectativas, nem de desejar não morrer. Elas não possuem qualquer centro de organização de informação (o cérebro) como os animais.
São capazes de responder a certos estímulos exteriores, que podem levar a alterações no seu desenvolvimento ou crescimento e possuem também um sistema hormonal complexo mas, até hoje, nunca foi encontrada qualquer prova cientificamente válida de que elas sofram. Será que elas sentem e ninguém ainda o descobriu? É improvável mas talvez. Pelo menos, por enquanto, devemos pensar naquilo que já sabemos, e o que se sabe é que os animais que comemos sentem e sofrem como os humanos.

E se estando numa ilha deserta, a tua sobrevivência dependesse de comer animais?

Hipoteticamente falando, é de admitir que muito de nós, vegetarianos éticos, nos alimentássemos de animais caso nos encontrássemos nessas circunstâncias extremas. Mas aquilo que nós faríamos em circunstâncias extremas, não deve de modo algum servir de padrão moral para aquilo que devemos fazer em circunstâncias normais.

Os animais são criados para os comermos!

O facto de um animal ser criado com um certo objectivo não altera a sua capacidade biológica de sentir sofrimento e de desejar não morrer. Este sentimento é igual nos humanos e faz com que qualquer pessoa não tenha o direito de explorar e matar outros humanos. Logo, o conceito de criar e matar animais para consumo humano é eticamente reprovável.

Se os animais comem outros animais, porque é que eu não hei-de comer? É a lei da Natureza.

Ao contrário dos outros animais, os humanos, por serem animais racionais, conseguem criar novas alternativas e são capazes de escolher uma mudança de hábitos. Um leão não consegue fazer nada disto e por isso nunca chega a pôr a hipótese de poder alterar os seus hábitos.

Um animal irracional não tem direitos porque não tem deveres.

Mesmo que de um ponto de vista jurídico os animais não possuam direitos, os humanos têm o dever moral de respeitar e o de não explorar ou provocar sofrimento desnecessário em indivíduos que possuam a capacidade de sentir dor e sofrimento, de criar laços afectivos, ou de ter o desejo de não morrer.

Os humanos são omnívoros e por isso têm de comer carne.

Os humanos de facto são omnívoros mas isso não os obriga necessariamente a comer carne permitindo-lhes, no entanto, a alimentarem-se maioritária ou exclusivamente de vegetais. Para além disto, o nosso corpo está melhor preparado para uma alimentação vegetariana do que para uma baseada em carne. Os animais carnívoros possuem garras, dentes caninos longos e um tracto digestivo curto. Por outro lado, os humanos possuem unhas curtas e os caninos são minúsculos quando comparados com os dos carnívoros. Os nossos pequenos dentes caninos estão mais preparados para trincar fruta do que rasgar a carne de um animal. Os nossos molares achatados e longo tracto digestivo estão melhor preparados para uma dieta vegetariana.

Não estão os humanos no topo da cadeia alimentar? São predadores.

Se deixarmos de comer carne o ecossistema deixa de funcionar. A escolha é sua, você está no sítio onde se quiser colocar. Pretende guiar as suas acções pela lei do mais forte ou pela ética? A sua força, ou supremacia, dá-lhe tanta razão a si para comeres outros animais – por supostamente estar no topo da cadeia alimentar -, como dá razão ao dono de escravos para suportar a escravatura, ou como dá razão ao patrão que recorre ao trabalho infantil apenas porque o pode fazer. Há muito tempo que esta cadeia foi manipulada/subvertida pela indústria da carne, de forma a produzir quantidades de carne suficiente. Os humanos não têm necessidade de comer carne e podem facilmente substitui-la por alimentos de origem vegetal. Manter o sistema como está é que levará, com certeza, à continuação do desequilíbrio entre a natureza e as acções do Homem.

Eu prefiro comer animais de criação extensiva. Esses não são maltratados.

De facto, o conceito de criação extensiva pressupõe um menor sofrimento durante a criação dos animais. No entanto, estes animais possuem, tal como os humanos, a capacidade de sentir sofrimento, dor e angústia e não desejam ser explorados nem mortos para servir as necessidades de outro animal. Assim, em qualquer tipo de criação animal, o respeito para com os animais que possuem estes sentimentos é violado. A criação extensiva também recorre aos mesmos métodos de transporte e morte utilizados na criação intensiva, sendo os animais mortos em condições extremas, agonizando até ao seu último momento de vida. Em nenhum dos sistemas se pode dizer que o animal não sofre ou sofre pouco. Para que se coma o animal ele teve que morrer e para ele morrer teve de sofrer. Não existe um método indolor de matar animais. Mesmo que existisse, apesar de ser uma maneira mais “simpática”, continuar-se-ia a explorar e a matar um animal com o único objectivo de saciar a sua fome, quando existem outras formas de o fazer sem causar sofrimento. A questão principal não deve ser: “como é que se pode diminuir o sofrimento?” mas sim “como é que se pode acabar com o sofrimento?”. A resposta está na vontade de cada um.

Não é pelo facto de eu me tornar vegetariano/a que vá fazer alguma diferença.

Faz sempre alguma diferença por mais pequena que pareça ser. Mas também não será por continuar a comer carne que os problemas terminam. É apenas uma questão ética. Se acha que os animais não devem sofrer para que nós os possamos comer, então deve pensar na possibilidade de se tornar vegetariano.

Comer carne não é contra natura.

Sim, mas também não é isso que tentamos dizer. O que dizemos é que se existe uma alternativa vegetariana à ingestão de carne que é mais saudável, saborosa, ecologicamente mais responsável e que, principalmente, rejeita a exploração dos animais, então cada um de nós deve reflectir sobre as vantagens que esta alimentação tem e se a consegue implementar no seu dia-a-dia. Se conseguir fazê-lo estará a fazer bem a si, ao planeta e aos animais.

Se nós não comermos os animais eles ficavam aí à solta.

Isso só seria possível se a partir de amanhã todas as pessoas se tornassem vegetarianas. Como esta mensagem não chega a todas as pessoas ao mesmo tempo, há tempo para que exista uma diminuição gradual desta indústria o que levará a que nunca exista a necessidade de libertar os animais, mas sim de deixar de os explorar.

A criação de carne alimenta uma indústria que dá emprego a muita gente.

Isso é verdade mas não seria a primeira vez que novos hábitos sociais mudariam a economia e, portanto, as tarefas a realizar por trabalhadores. Os empregos não iriam diminuir, apenas mudar. Qualquer ser humano tem uma grande capacidade de adaptação e muitas tarefas desaparecem frequentemente para dar lugar a outras.

Se não comermos os animais certas espécies extinguem-se.

E será eticamente correcto provocar sofrimento, explorar e matar animais de uma espécie com a justificação de evitar que a espécie se extinga?

É impossível sermos todos vegetarianos. Os esquimós, por exemplo, têm obrigatoriamente de se alimentar de animais.

O vegetarianismo parte do princípio de que se deve evitar, sempre que possível, a ingestão de animais. Se não for possível, tal como para os esquimós que não têm nenhuma outra fonte de nutrientes que não seja animal, então cada um, dentro das suas possibilidades, deve fazer o máximo para evitar o sofrimento animal. No entanto, cabe a cada um de nós a tarefa de criar as condições para que exista uma alternativa.

Uma alimentação vegetariana, como exclui a carne, tem menos diversidade do que uma alimentação com carne.

Pelo contrário. A alimentação vegetariana recorre a uma variedade de alimentos que não chegam a ser explorados numa alimentação não-vegetariana. Se experimentar o vegetarianismo, vai reparar que existe uma variedade surpreendente de alimentos, que não conhecia ou não usava, que podem ser cozinhados de mil e uma maneiras saborosas.

Se eu não comer carne não vou ingerir proteínas/ferro/calorias suficientes e posso ficar doente.

Se continuar a comer carne também pode ficar doente. Desde que faça uma alimentação equilibrada e diversificada não deverá ter problemas de carência de qualquer nutriente, pelo contrário, observará que a sua saúde melhora ou, no mínimo, mantém-se. Se continua com receio visite um nutricionista e diga-lhe que está a pensar tornar-se vegetariano/a. Assim não correrá nenhum risco. (ver link sobre nutrição)

Os vegetarianos não são pessoas pálidas e apáticas?

Não. Pessoas mal informadas e descuidadas na alimentação, por vezes movidas por motivos exclusivamente estéticos, optam pelo vegetarianismo, provocando-lhes problemas de saúde. Os vegetarianos são pessoas como eu ou você que simplesmente preferem ter uma alimentação livre de sofrimento e exploração. A sua saúde é o mais importante, mas não deve ser um obstáculo para que opte por uma alimentação livre de sofrimento. Se fizer uma transição gradual e informada, não deverá ter qualquer problema.

Eu gosto de comer carne. É muito difícil deixar a carne.

Já experimentou? Não custa muito. Experimente durante algumas semanas explorando receitas que ache que vai gostar e procurando novos alimentos. Se começar gradualmente a eliminar produtos de origem animal custa menos e, desta forma, dará tempo para que o seu corpo se habitue à sua nova alimentação. Peça ajuda a outros vegetarianos e/ou a um nutricionista.
Já experimentou comer comida vegetariana? Se for bem preparada, consegue ser bem mais apetitosa e saciante que a carne, para além de não lhe deixar o peso na consciência por ter provocado a morte a um animal.

O vegetarianismo é muito bom para vocês que não gostam de carne. Eu acho que nunca seria capaz…

O vegetarianismo ético não tem absolutamente nada a ver com gostar de carne ou não. Alguns, antes de serem vegetarianos, já sentiam uma certa “repulsa” pela carne, como se a nível subconsciente algo lhes dissesse que comer carne não era assim tão natural. Outros, poderiam considerar-se verdadeiros alarves a comer carne, o que não os impediu de se tornarem vegetarianos.
Quando falamos de abdicar do leite, iogurtes, ovos, etc., é virtualmente impossível encontrar alguém que tenha abdicado de tudo isso sem esforço. Sim, é preciso algum esforço, mas o que é importante é a tua motivação. E quando a tua motivação é tão nobre como evitar o sofrimento e contribuir para um mundo mais justo e pacífico, então ela é seguramente suficiente para ultrapassares os obstáculos que se te vão deparar.

Mas o animal já está morto. Eu não matei nada, só comi.

Pode não ter morto, mas deu dinheiro para o matar. Ao dar dinheiro por um animal ou parte dele está a criar um “efeito de prateleira”, ou seja, ao dar dinheiro pela carne está a retirar um produto e a deixar um lugar vago na prateleira. Com esse dinheiro o comerciante vai poder matar outro animal para substituir o que acabou de levar, preenchendo o lugar vazio.
De facto o animal que come já não sofre mais, mas ao alimentar esse negócio, está a fazer com que outros animais sofram em seguida.

Eu sei que os animais sofrem muito ao serem mortos, nos matadouros, e sou contra isso. Mas não devíamos nós pedir um abate mais humano, em vez de pedir às pessoas para deixarem de comer carne?

O problema fundamental aqui não é a forma como os animais são abatidos, mas o simples facto de eles serem abatidos. Pois por mais indolor que seja o abate, nós não encontramos justificação para tirar a vida a um ser senciente quando podemos fazer uma dieta vegetariana que é tão ou mais saudável do que a dieta omnívora.

Eu ouvi dizer que uma dieta à base de produtos de origem animal é muito má para a saúde. Mas se eu comer carne, digamos, uma vez por semana já não deve haver grande problema?

O pessoal aqui não é nutricionista, nem defende o vegetarianismo por motivos de saúde, embora essa seja obviamente uma opção válida. O vegetarianismo é defendido por nós numa base ética, e a nossa ética não se pode esquecer uma vez por semana.

Eu, como omnívoro, respeito quem é vegetariano. Por que raio os vegetarianos não respeitam a minha liberdade e me querem converter à força?

Nós queremos seguramente respeitar a liberdade de todos, incluindo aqueles que não concordam connosco. Mas também estamos empenhados em fazer respeitar os direitos dos animais não-humanos. E é por reconhecermos os direitos aos animais não humanos que aquilo que você entende como sendo a sua liberdade, nós entendemos como sendo uma violação dos direitos dos animais. Portanto, aquilo que nos pede é que nós nos calemos perante aquilo que consideramos uma injustiça, pedido esse que invariavelmente terá uma resposta negativa da nossa parte. Quanto à conversão pela força, obviamente que não se pretende converter ninguém ao vegetarianismo pela força. Já lá vai o tempo, pelo menos na nossa sociedade, em que as conversões eram impostas. Quando nós advogamos o vegetarianismo, não estamos a tentar converter alguém mas sim a dar-lhe a informação para que ela possa fazer a sua própria escolha, de forma informada.

Eu considero válidos os argumentos a favor do vegetarianismo, no entanto trata-se de algo demasiado fundamentalista para mim!

Fundamentalista por ir contra a crença geral de que não existe nada de errado em comer animais? Seriam também fundamentalistas aqueles que defendiam o fim da escravatura, quando a generalidade da sociedade a apoiava? Nós acreditamos que não. Para nós, o vegetarianismo é inerentemente compassivo e compreensivo. Ser vegetariano não é sobre ter certezas absolutas, ignorar as opiniões contrárias ou, muito menos, justificar os fins com os meios. Ser vegetariano é mais sobre questionar: questionar a prática institucionalizada de exploração de outros animais, e decidir em consciência qual é a melhor coisa a fazer. Quando muito, ser vegetariano é ter a forte convicção de que não é de modo algum justificável matar animais para comer. Mas nem é preciso tanto. Para ser vegetariano basta ter a dúvida de que seja justificável matar animais para comer e, em caso de dúvida, as pessoas justas são chamadas a optar por não condenar quem pode estar inocente. O vegetarianismo não é sobre julgar aquilo que está certo ou errado, aquilo que é o “bem” ou o “mal”, mas antes sobre procurar fazer melhor, pois não existe nada certo ou errado, mas geralmente existem alternativas melhores ou piores. No caso da nossa dieta, consideramos que uma dieta vegetariana é a melhor alternativa. Mas claro, não é por alguém ser vegetariano que é melhor ou pior do que qualquer outra pessoa.

Essa conversa sobre o vegetarianismo é muito bonita, mas se o vegetarianismo é assim tão bom como se explica que não haja mais vegetarianos?

Existem muitos milhões de vegetarianos e vegans em todo o mundo, e o número tem tendência a aumentar. No entanto, o que nós pretendemos é que muitas mais pessoas se tornem vegetarianas, para que se consiga diminuir significativamente o sofrimento animal causado pela criação e abate de animais para consumo. Os aspectos culturais e religiosos podem ser parte da explicação para o reduzido número de vegetarianos. O Cristianismo, em particular, tem sido usado no ocidente para justificar o domínio do Homem sobre os animais. É de ressaltar que são muitos os cristãos vegetarianos que advogam os direitos dos animais, não encontrando nada de incoerente entre a mensagem de Cristo e o respeito pelos animais, antes pelo contrário. No entanto, alguns usam passagens da Bíblia para justificar que os animais são seres inferiores, como poderiam também justificar a escravatura, ou a subjugação das mulheres, se estiverem empenhados numa interpretação literal. Infelizmente, esta última visão tem prevalecido e tem tido uma influência muito grande na sociedade. Um obstáculo que todos os que consideram tornar-se vegetarianos têm de enfrentar é a barreira inicial que os separa do vegetarianismo. Por vezes parece ser uma barreira de altura infinita.

O que vou eu comer? Onde vou eu comer? Vou ter de fazer a minha comida?! E quando sair com os amigos? Será que vou ser excluído/a de alguns eventos sociais?

À medida que as perguntas se acumulam, é natural que comeces a tentar arranjar justificações para não fazer coisa nenhuma e deixar a inércia vencer. Afinal, a dieta omnívora apresenta normalmente duas grandes vantagens: foi essa a dieta a que foi habituado/a deste pequeno/a, e é essa a dieta dos seus familiares e amigos. No entanto, se a sua consciência lhe disser que deve optar pelo vegetarianismo, ignore os obstáculos e siga em frente. A sua motivação é tudo o que precisa. Com o passar do tempo verá que é muito fácil ser vegetariano/a, e assim o seu testemunho do vegetarianismo seja coerente e compreensivo, os seus familiares e amigos respeitarão a sua opção (mesmo aqueles que inicialmente o/a massacrem com críticas).

A alimentação vegetariana não é mais cara?

Não. É claro que existem produtos congelados e prontos-a-comer que são obviamente caros porque implicam de um elevado nível de processamento e ainda porque são geralmente importados. Mas uma alimentação vegetariana sem estes pequenos luxos pode ser, sem dúvida, mais barata.

O que é que eu como se me tornar vegetariano?

Existem várias alternativas e cada dia aparecem mais. Os substitutos da carne mais comuns são o seitan, tofu, e diversas leguminosas, embora a oferta em supermercados e lojas de produtos dietéticos tenha vindo a aumentar muito nos últimos anos. Pergunte em lojas de produtos naturais ou a outros vegetarianos, procure receitas na Internet ou improvise.

Referências:

Centro Vegetariano – http://www.centrovegetariano.org
LPDA – http://www.lpda.pt
Pelos Animais – http://www.pelosanimais.org

PARA MAIS INFORMAÇÕES CONSULTE AS SEGUINTES FONTES:

Em português:

– Liga Portuguesa dos Direitos do Animal – http://www.lpda.pt (Departamento de vegetarianismo e receitas vegetarianas)
– Centro Vegetariano – http://www.centrovegetariano.org

Em inglês:

– Goveg.com – www.goveg.com
– Meet your meat – www.meetyourmeat.com
– People for The Ethical Treatment of Animals – www.peta.org/about/faq-veg.asp
– Vegan Society – http://www.vegansociety.com
– Vegan Outreach – http://www.veganoutreach.com/whyvegan/
– Documento oficial sobre nutrição – http://www.eatright.org/Public/GovernmentAffairs/92_17084.cfm
– Artigo científico recente sobre a existência de sofrimento em peixes – http://www.nature.com/nsu/030428/030428-9.html
– Artigo de opinião baseado em artigos científicos sobre a existência de sofrimento em mamíferos e aves – http://articles.animalconcerns.org/ar-voices/archive/pain.html

P – Se animais matam outros animais para se alimentar, porque deveríamos agir de forma diferente?
R – Os animais que matam para se alimentar não poderiam sobreviver se agissem de outra forma. Este não é o nosso caso. Nós, humanos, na verdade nos tornamos mais saudáveis quando adotamos uma dieta vegetariana. Além disso, se nós não costumamos nos comportar como animais, por que deveríamos abrir uma exceção para este caso?

P – Os seres humanos não têm que comer carne para permanecer saudáveis?
R – O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e a Associação Dietética Americana, dois órgãos que são referência mundial em questões alimentares, endossaram dietas vegetarianas. Pesquisas demonstraram também que vegetarianos possuem sistemas imunológicos mais fortes, e que os consumidores de carne têm duas vezes mais chances de morrer de doenças cardíacas e probabilidades 60% maiores de morrer de câncer. O consumo de carne, leite e seus derivados tem sido ainda relacionado a diversas outras doenças, como diabetes, artrite e osteoporose.

P – Os vegetarianos ingerem proteína suficiente?
R – Em boa parte dos casos, o problema é ingerir proteína em demasia, não em quantidade insuficiente. Muitos dos que consomem produtos de origem animal ingerem três ou quatro vezes mais proteínas do que necessitam. Há uma enorme variedade de alimentos vegetarianos ricos em proteínas, como massas, pães, feijões, ervilhas, milho e até mesmo cogumelos. Quase todos os alimentos contêm proteína. É quase impossível não obter proteína suficiente em uma dieta que possua a quantidade de calorias adequada, mesmo que não se faça uma escolha mais cuidadosa dos alimentos. Por outro lado, proteína em demasia é uma das principais causas conhecidas de osteoporose e doenças renais.

P – Comer carne é natural. Tem sido assim por milhares de anos. Nós evoluímos desta maneira.
R – Na verdade, nós não evoluímos para comer carne. Animais carnívoros possuem dentes caninos pontiagudos, garras e um trato digestivo curto. Os seres humanos, em seu atual estágio de evolução, não apresentam garras nem caninos desenvolvidos. Temos molares lisos e um trato digestivo longo, muito mais adequado a uma dieta de vegetais, grãos e frutas. Comer carne é perigoso para nossa saúde; contribui para o aparecimento de doenças cardíacas, câncer e uma infinidade de outras doenças.

P – Se todos passassem a comer apenas alimentos de origem vegetal, haveria bastante comida para todos?
R – Boa parte da safra mundial de grãos é na verdade destinada a alimentar o gado. Desta forma, se todos se tornassem vegetarianos, haveria muito maior abundância de alimentos. Nos Estados Unidos, por exemplo, 80% do milho produzido são usados na alimentação dos animais criados para consumo. Em todo o mundo, o gado consome uma quantidade de alimento equivalente às necessidades calóricas de 8,7 bilhões de pessoas – mais do que toda a população humana do planeta.

P – Os fazendeiros tratam seus animais muito bem, ou eles não produziriam tanto leite e ovos.
R – Os animais nas fazendas não ganham peso, produzem leite e colocam ovos porque se sentem confortáveis, contentes, ou são bem tratados, mas, na verdade, porque foram manipulados especialmente para fazer estas coisas, com drogas, hormônios e técnicas de criação e seleção genética. Além disso, os animais criados para produção de alimentos, mesmo vacas leiteiras e galinhas poedeiras, hoje são abatidos em idade extremamente jovem, antes que as doenças e a miséria os dizimem. É mais lucrativo para os fazendeiros absorver as perdas ocasionadas por mortes e doenças do que manter os animais em condições humanitárias.

P – Vegetarianismo é uma questão de escolha pessoal. Não tente forçar os outros a fazer esta escolha.
R – De um ponto de vista moral, as ações que prejudicam outros não são questões de escolha pessoal. O assassinato, o estupro, o abuso de crianças e a crueldade para com os animais são atitudes imorais. Nossa sociedade incentiva hoje o hábito de comer carne e a crueldade nas unidades de criação de animais, mas a história nos ensina que esta mesma sociedade um dia encorajou a escravidão, o trabalho infantil e muitas outras práticas agora universalmente reconhecidas como imorais.

P – Eu conheço um vegetariano que não é saudável.
R – Há, claro, vegetarianos que não são saudáveis. Assim como há comedores de carne na mesma situação. Mas o fato é que as pesquisam comprovam que dietas vegetarianas bem variadas e de baixo teor de gordura criam melhores condições para uma vida mais longa e saudável.

P – Eu não matei o animal.
R – Não, mas financiou sua morte, tornando-se responsável direto por ela. Sempre que você compra carne, assina um atestado de culpa: a morte daquele animal foi para seu usufruto e você pagou por ela.

P – Quem pratica exercício duas ou três vezes por semana pode adotar a dieta vegetariana sem prejuízos? Quais os cuidados que a pessoa deve adotar?
R – Sim, desde que planeje refeições que forneçam calorias adequadas para suprir suas necessidades energéticas e faça no mínimo seis refeições por dia. É importante também que as quantidades sejam moderadas. Para praticantes de atividade física é importante ter uma refeição equilibrada. Os carboidratos (pães, cereais, arroz, macarrão, batata, etc), são utilizados preferencialmente como fonte de energia, além da proteína (agora de grãos integrais, soja, ovo, leite e derivados) tendo sua participação mais discreta, porém importante. Para a recuperação a alimentação pós atividade deve conter pelo menos uma fonte de cada destes nutrientes. As vitaminas e minerais (frutas, hortaliças e alimentos integrais) também são importantes por participarem de todas as reações orgânicas, além de atuarem como antioxidantes.

P – E os atletas, podem ser vegetarianos sem prejuízo?
R – Sim, porém o atleta vegetariano perde peso com facilidade. Para manter o equilíbrio energético, é necessário um bom planejamento alimentar e fazer seis ou mais refeições por dia em quantidades moderadas. Se a alimentação não inclui leite e derivados ou ovos, é importante formar diferentes combinações de alimentos, incluindo maior quantidade de grãos integrais, principalmente a soja

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